Opinião

Cartas ao director

Impedir que o mundo se desfaça

“Cada geração, sem dúvida, acredita estar destinada a mudar o mundo. A minha, no entanto, sabe que não o fará. Mas a sua tarefa é talvez ainda maior. Consiste em impedir que o mundo se desfaça.” Esta afirmação pode parecer muito premente e actual, neste momento, quando várias ameaças, de várias origens e naturezas, pairam sobre o nosso mundo. No entanto, ela tem 60 anos e foi proferida por Albert Camus em 1957, no discurso de aceitação do Prémio Nobel da Literatura. Os problemas passados parecem-nos frequentemente menores do que os contemporâneos, mas é de recordar que naquela data ainda pairava no ar o cheiro das cinzas da II Guerra Mundial e estávamos em plena Guerra Fria, que, a aquecer, poderia provocar estragos irreparáveis. O mundo não se desfez e se, até hoje, a Europa não voltou a cair na barbárie, isso foi em muito devido à construção das instituições europeias, assim como, com todas as suas deficiências, a ONU contribuiu para o mundo ficar um bocadinho melhor. Aqueles que hoje menosprezam a “Europa construída” e pedem excitados a sua desconstrução não viveram uma guerra. Também não deveria ser necessário tê-la vivido para sentir a necessidade permanente desta prioridade evocada por Camus.

Carlos J. F. Sampaio, Esposende

Grande descoberta

 “Isto vai, meus amigos, isto vai”, dizia o poeta. Vem isto a propósito da grande descoberta que o nosso actual Governo acaba de fazer. Se o rendimento das famílias aumentar e tiver uma certa estabilidade e até tiver perspectiva de ir aumentado num futuro próximo, o consumo interno vai aumentar de certeza. Claro. Não é preciso ter um curso superior para se saber que se houver uns trocos a mais poderemos comprar mais fruta e ir ao restaurante, e assim os produtores, ao verem escoar rapidamente os seus produtos, podem aumentar a sua produção e aumentar o número de trabalhadores que, por sua vez, serão consumidores. Por isso devemos ajudar o Governo a alicerçar esta descoberta, que já serviu de várias intervenções do primeiro-ministro na TV e na comunicação social: vamos consumir português.

Maria Clotilde Moreira, Algés

Abundância de informação, escassez de reflexão

Estamos a viver num tempo em que temos tanta informação, tão rápida, vinda “não se sabe de onde”, que nos gera muita pobreza de atenção. Quando a quantidade é muita, seja no que possa ser, claro que a qualidade não pode ser boa. Não temos tempo de absorver tanta informação, não temos tempo de pensar, desabituamo-nos até de o fazer. (…) E se não quisermos fazer um esforço em “ter” menor abundância informativa mas muito mais avalizada, vamos deixar-nos guiar por pessoas ou máquinas, que nem sabemos onde estão, quem são, o que nos querem fazer, que no mínimo é domesticar-nos, uniformizar-nos, empobrecer-nos culturalmente e embrutecer-nos.

Augusto Küttner de Magalhães, Porto

O PÚBLICO ERROU

Anabela Possidónio, que assina o artigo de opinião no Especial Executivos publicado ontem, é directora executiva do The Lisbon MBA.

Na edição de quarta-feira, no artigo “Gestão do Montepio pressionada a divulgar correcção às contas”, o PÚBLICO referiu erradamente que Humberto Costa Leite é um cliente devedor da Caixa Económica Montepio Geral.