Entrevista

"Passos tem um crédito para o futuro que é infindável"

Marco António mantém-se com o líder: "Se houver pessoas com uma proposta alternativa, que se sintam capacitados para desafiar uma liderança, é sempre útil". Por ele, Passos continua.

Rui Gaudencio
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Rui Gaudencio

Elogios a Teresa Leal Coelho, também a Álvaro Almeida. E fidelidade a Passos: Marco António continua a falar na primeira pessoa do plural.

O processo das autárquicas foi atribulado no PSD, sobretudo nos casos de Lisboa e Porto. Houve desleixo na preparação?
Não, acho que tivemos uma atenção mediática muito maior do que o PS numa fase. E agora os jornalistas descobriram que afinal os problemas não existiam só no PSD, também existiam no PS. 

Mas reconhece que também existiram? E que não chegaram às soluções ideais?
Essa já é uma conclusão sua. Todos os processos eleitorais têm problemas. Eu conduzi o processo das legislativas: não foi público, mas também houve. Nós nunca tivemos no PSD uma distrital que aprovasse uma moção de censura ao responsável autárquico, como a do PS de Braga agora. 

Mas tiveram problemas no PSD-Lisboa: o presidente da concelhia demitiu-se.
Só posso elogiar a escolha. A Teresa Leal Coelho é uma pessoa competente politicamente, é uma pessoa de uma dedicação absoluta à vida pública. É uma mulher com mundo, com capacidade de trabalho e próxima dos cidadãos. 

Pelo que lemos, não está ainda no terreno. 
Tem estado. Não tem estado é com a comunicação social.

Mas falta-lhe visibilidade?
As eleições têm uma campanha que serve para alguma coisa. Nós partimos para as legislativas condenados. Enfim, não se confirmou. No Porto, o que está a acontecer não é uma surpresa. As pessoas do Porto devem estar muito pouco satisfeitas com o espectáculo que foi dado pelo PS. E de alguma forma pelo dr. Rui Moreira, por se deixar envolver em toda esta teia de acontecimentos. E nós temos um candidato preparado para fazer um trabalho notável.

Conhecendo como conhece o PSD, se Passos Coelho perder as autárquicas, tem condições para manter a liderança?
Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Porque ele não vai ser candidato em lado nenhum.

Mas é o PSD e as escolhas foram dele, em Lisboa e Porto. E é uma pergunta que se faz no seu partido.
Uma minoria pequena de pessoas. O dr. Passos Coelho já disse que não está em causa nestas eleições, que se apresentará novamente a eleições internas no partido.

Acha que seria saudável que não fosse sozinho?
Acho que a democracia é sempre uma festa. Quem quiser participar nela que se apresente, ponto final. Se houver pessoas com uma proposta alternativa, que se sintam capacitadas para desafiar uma liderança, é sempre útil. Nunca houve da nossa parte, desde a primeira eleição do dr. Passos Coelho, nenhuma dificuldade em conviver com aqueles que tinham estado contra nós. Acho que é uma falsa questão...

Se houver desafio, acha que as bases estarão com Passos Coelho? Ou pode acontecer o que aconteceu quando Menezes ganhou a Marques Mendes em 2008, depois de uma eleição autárquica?
Foi depois de umas intercalares para Lisboa - e o processo não tem comparação. Não posso falar pelas bases, mas por mim: o dr. Passos Coelho tem todas as condições para se apresentar novamente a eleições internas. E para continuar a fazer uma oposição responsável - e não populista e demagógica. Nós não temos esse estilo. Dito isto, em Espanha, os líderes da oposição não são trocados em dois ou três anos. 

Com a economia a crescer, o país fora de défice excessivo e, quem sabe, uma agência de rating a tirar Portugal do lixo, Passos Coelho ainda chegará a primeiro-ministro?
Acredito que ele tem, pela capacidade, pelo sentido de patriotismo numa altura nuclear para o futuro dos portugueses, um património de crédito para o futuro que é infindável. E, portanto, está na sua vontade querer continuar, ou não, a persistir. E está na vontade dos militantes continuar ou não a confiar nele. A minha expectativa é que essa confiança existe.