Juiz do Supremo Tribunal Federal recusa prender Aécio Neves

Senador perdeu o cargo e foi acusado pelo empresário Joesley Batista de lhe ter pedido dois milhões de reais.

Reuters/ADRIANO MACHADO
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O senador brasileiro e ex-candidato presidencial Aécio Neves foi afastado esta quinta-feira do cargo por ordem do Supremo Tribunal Federal, na sequência de uma denúncia de corrupção feita pelo empresário Joesley Batista, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, emitiu uma ordem de prisão preventiva.

O juiz do STF, Edson Fachin, recusou o pedido de prisão de Aécio, segundo a imprensa brasileira, que cita fontes do gabinete do juiz. Ao perder o cargo, Aécio Neves fica também privado de imunidade parlamentar, podendo ser detido e julgado. Foram também realizadas buscas nas suas residências, bem como no gabinete no Senado.

A polícia prendeu esta manhã a irmã do ex-senador, a jornalista Andrea Neves, que se encontrava em Minas Gerais, avança o jornal O Globo. Segundo o jornal Folha de São Paulo, que cita fontes ligadas à investigação, Andrea Neves tinha adquirido bilhetes de avião para Londres, mas foi detida em Belo Horizonte. Também foi detido o primo do ex-senador, Frederico de Medeiros, que terá servido de intermediário dos subornos.

Para além de Neves, o deputado Rocha Loures, muito próximo do Presidente, Michel Temer, perdeu também o cargo depois de ter sido filmado a receber um suborno 500 mil reais.

Aécio Neves divulgou uma mensagem, garantindo estar "absolutamente tranquilo quanto à correcção de todos os seus actos".

O Supremo emitiu igualmente uma ordem de prisão para o procurador Angelo Goulart, suspeito de ter passado informações confidenciais sobre a investigação a membros do grupo a que pertence a empresa JBS. Goulart é o primeiro membro do Ministério Público Federal envolvido na Operação Lava-Jato.

A decisão do STF surge horas depois de Joesley Batista, dono da JBS, uma das maiores empresas de comércio de carnes do mundo, ter denunciado Aécio Neves, que lhe terá pedido dois milhões de reais (571 mil euros) para poder pagar sua defesa no âmbito da Operação Lava-Jato, uma mega-investigação que se debruça sobre as ligações entre a classe política brasileira e algumas das maiores empresas do país.

Batista denunciou também Michel Temer, que terá autorizado o pagamento de um suborno para garantir o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, condenado a 15 anos de prisão em Março, pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão fiscal. De acordo com o jornal O Globo, que revelou as declarações de Joesley Batista, as denúncias foram feitas aos investigadores ao abrigo da figura conhecida como "delação premiada" – um instrumento através do qual os envolvidos numa investigação judicial podem fazer acordos com a polícia, normalmente denúncias, em troca de penas mais leves.

Aécio Neves foi o candidato derrotado pela ex-presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014.