Trump participa em cimeira onde está líder acusado de genocídio

Presidente dos EUA e homólogo do Sudão, acusado de genocídio, vão participar numa cimeira na Arábia Saudita.

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Reuters/Mohamed Nureldin Abdallah

O Presidente do Sudão, Omar al-Bashir, que é acusado de genocídio pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), foi convidado a participar numa cimeira na Arábia Saudita onde estará presente o chefe de Estado norte-americano, Donald Trump. A informação é avançada pelo New York Times (NYT), que cita um porta-voz governamental sudanês.

Apesar de os Estados Unidos não serem signatários do tratado que instituiu o TPI, Washington tem recusado acolher ou manter contactos com suspeitos que contestam ordens de detenção emitidas por aquele tribunal, como é o caso de al-Bashir. Activistas dos direitos humanos consideram agora que a eventual presença de Trump e do Presidente sudanês no mesmo fórum representaria uma grave quebra do que tem sido a política norte-americana, aponta o jornal nova-iorquino.

Al-Bashir foi acusado em 2009 e em 2010 de crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade pelo papel no conflito do Darfur. Segundo as Nações Unidas, pelo menos 300.000 pessoas terão morrido desde o início do século naquela região sudanesa, onde a população negra é perseguida por movimentos armados árabes apoiados pelo regime de Cartum.

“Qualquer interacção do Presidente Trump com al-Bashir na Arábia Saudita, se al-Bashir estiver presenta na cimeira, enviaria uma terrível mensagem às vítimas dos crimes e levantaria enormes dúvidas sobre o compromisso dos EUA em relação à busca da justiça”, disse Elise Keppler, da Human Rights Watch, citada pelo NYT.

Al-Bashir tem mantido deslocações ao estrangeiro apesar de ser alvo de um mandado de captura internacional. Recentemente, esteve na Jordânia, país que reconhece o TPI. Em 2015, participou numa reunião da União Africana na África do Sul, sendo momentaneamente proibido de deixar o país por um juiz. No entanto, diligências movidas pelo Presidente sul-africano Jacob Zuma evitaram uma detenção.