Caminos de la literatura portuguesa na Feira do Livro de Madrid

Portugal é o país convidado da Feira do Livro de Madrid que começa a 26 de Maio. A programação foi apresentada esta quarta-feira pelos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Cultura.

Foto
José Saramago (1922- 2010) PAULO RICCA/PUBLICO

Mais de 55 escritores portugueses, entre "o cânone e os novos criadores" como descreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros, vão estar entre 26 de Maio e 11 de Junho na Feira do Livro de Madrid. Portugal é o país convidado desta 76.ª edição de um dos mais importantes eventos do mercado livreiro na Europa e leva José Saramago, claro, Sophia de Mello Breyner Andresen, incontornável, mas também Valter Hugo Mãe, Afonso Cruz, a escrita da lusofonia ou a música de B Fachada e a fotografia de Paulo Nozolino à capital espanhola.

Sob o tema Caminos de la literatura, a presença portuguesa é uma organização do ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) e do ministério da Cultura, com a Embaixada de Portugal em Madrid como pivot — o delinear da programação contou com o trabalho da Livraria Ler Devagar/Sociedade Vila Literária de Óbidos. "É mais uma etapa do processo de internacionalização da cultura portuguesa", disse esta quarta-feira o ministro Augusto Santos Silva; num país "que não nos desconhece mas que é um país onde tudo ganhamos por nos fazermos mais conhecidos", acrescentou o ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes.

Cinema, música, fotografia, leitura encenada, a rapper Capicua ou Luís de Camões são algumas das áreas e vozes que a presença portuguesa abarcará, num pavilhão de 120m2 que receberá 22 autores portugueses e sete autores de língua portuguesa in loco. Tradutores, editores, livreiros, académicos, entre outros, participarão em conferências, tertúlias, encontros, leituras concertos e debates — um dos eventos em destaque, dia 7 de Junho, é o encontro de escritores lusófonos com Valter Hugo Mãe, Luís Cardoso (Timor Leste), Olinda Beja (São Tomé e Príncipe), Flaviano Mindeja (Guiné-Bissau), José Luís Tavares (Cabo Verde), Ondjaki (Angola), Evanildo Bechara (Brasil) e Mbate Pedro (Moçambique).

"Por que ler Luís de Camões hoje" ou "O riso de Eça de Queiroz" serão analisados por académicos espanhóis e portugueses, "El iberismo en Saramago" ou os "Poetas ibéricos da nova geração", bem como "A integração cultural dos refugiados" são algumas das conferências agendadas. A obra de Herberto Helder ou de Pessoa serão discutidas, novos livros serão apresentados e filmes como Ensaio sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles, ou O Delfim, de Fernando Lopes, serão mostrados. "Uma feira do livro, um evento cultural hoje tem de ser pensado desta maneira global", postulou o ministro da Cultura, depois de terem sido elencados os concertos dos O'queStrada, Cante Alentejano, Lula Pena ou Norberto Lobo.

A organização espera também que esta iniciativa "tenha um efeito catalisador na curiosidade do mundo académico [espanhol] pela língua portuguesa", frisou o embaixador Francisco Ribeiro de Menezes. "Não há explicação para que os autores portugueses sejam pouco traduzidos em Espanha", dissera antes à Lusa José Pinho, proprietário da Ler Devagar, que classificou como "estranho" Portugal nunca ter sido convidado para o evento, uma feira como as suas congéneres de Lisboa e Porto mas que se realiza na quarta maior indústria do mundo no sector. No ano passado, por exemplo, com França com país convidado, a Feira de Madrid teve um volume de negócios de cerca de 8,2 milhões de euros. A presença de livreiros históricos como a Bertrand ou a Ferin e a Lello, bem como de editores como a Gradiva ou o Grupo Leya visa fomentar o negócio em Espanha, estando também agendadas apresentações e lançamentos de edições como Húmus, de Raul Brandão, Los paseos del soñador solitário, de Almeida Faria.

O orçamento da iniciativa, precisou o embaixador Francisco Ribeiro de Menezes ao PÚBLICO, é de 174.750 euros, com contributos do Instituto Camões (50 mil euros), Fundo de Fomento Cultural (25 mil euros), AICEP (10 mil euros), Turismo de Portugal (45 mil euros) ou Fundação EDP (40 mil euros), além de outras parcerias e participações de entidades privadas. Os custos envolvem viagens, transporte de livros e outras despesas como a imagem, que transporta a literatura portuguesa num eléctrico. O diplomata salientou ainda que durante a feira madrilena haverá secções dedicadas à literatura portuguesa nas principais livrarias da cidade.