Entrevista

Ministro compromete-se a ouvir os alunos de uma forma mais "constante"

Tiago Brandão Rodrigues lembra o que lhe disse uma estudante em Novembro passado: “Não queremos cidadãos formatados, queremos cidadãos do mundo.”

Ministro diz que "não é concebível" pensar na escola do futuro sem ouvir os alunos
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Ministro diz que "não é concebível" pensar na escola do futuro sem ouvir os alunos ricardo campos

O ministro da Educação olha para a audição dos estudantes realizada em Novembro passado, em Leiria, como sendo, até agora, um dos “momentos mais gratificantes” do seu mandato. Eles foram dizer-lhe o que esperavam da escola e de um novo currículo. Tiago Brandão Rodrigues promete que, em vez de esporádica, esta prática passará “a constante”. A OCDE pretende replicar a iniciativa portuguesa (a que o ministério chamou “A Voz dos Alunos”) noutros países.

Que contributos apresentados pelos alunos foram tidos em conta para o programa de flexibilização curricular [que entrará em vigor no próximo ano, em algumas escolas, a título experimental]?
Ouvimos muitos estudantes no âmbito do Perfil do Aluno para o Século XXI. “A Voz dos Alunos” foi, muito provavelmente, dos momentos mais gratificantes deste ano e meio de legislatura. Dos alunos ouvi sugestões e até reivindicações que, certamente, serão tidas em conta e acomodadas no trabalho que fazemos para melhorar a escola, em busca de percursos com cada vez mais sucesso.

Faz sentido ouvir os alunos para percebermos como valorizam a escola e como têm boas ideias para aprenderem melhor. Por exemplo, deles ouvimos a defesa da aposta em métodos de aprendizagem mais experimentais e o pedido para terem aulas menos expositivas. São os alunos os primeiros a desejarem poder aceder a um leque mais variado de disciplinas, que elas “casem” melhor entre si e que estejam adaptadas ao contexto local e social da escola. Pudemos ver e ouvir como eles defendem que as aulas devem ser espaços de reflexão, de criatividade, atenuando assim, cada vez mais, o poder ilusório da tão redutora pergunta “sai para o teste?”. Tudo isto será tido em conta porque, como dizia uma aluna em Novembro, “não queremos cidadãos formatados, queremos cidadãos do mundo”.

Quantas escolas manifestaram interesse em aplicar a flexibilização curricular e quantas a aplicarão de facto no próximo ano? Abrangendo quantos alunos?
O trabalho de flexibilização pedagógica está em curso e será oportunamente apresentado.

Em que circunstâncias é que o Ministério da Educação conta ouvir de novo os estudantes?
Para nós não é concebível pensar na escola do futuro, no estudante do futuro ou, até, no professor do futuro sem os ouvir a eles – aos alunos! Todos os actores têm de ter voz activa e os processos de auscultação têm de ser um trabalho contínuo, e não só para efeitos do desenho de medidas concretas. Por isso, esta iniciativa, de inédita, passará a constante na nossa acção, não escondendo a satisfação que é vê-la reconhecida e internacionalizada por via de uma instituição como a OCDE.