Líder da concelhia de Lisboa acusa Passos de "deriva estalinista".

Afastamento da família Gonçalves das listas sociais-democratas em Lisboa motiva queixas de que PSD já não é um partido plural.

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Filipe Farinha / Stills (colaborador)

Dos actuais cinco presidentes de juntas de freguesia do PSD, só um não será recandidato por decisão da distrital de Lisboa. Trata-se de Daniel Gonçalves, presidente da junta das Avenidas Novas. O filho, Rodrigo Gonçalves, que é o líder interino da concelhia de Lisboa, diz que Passos Coelho está numa “deriva estalinista”.

A distrital do PSD-Lisboa aprovou ontem à noite o último candidato a câmara do distrito – Fernando Seara em Odivelas – e vários candidatos a juntas de freguesia da cidade de Lisboa e de outros concelhos da periferia. Para as Avenidas Novas foi escolhido Pedro Proença, advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados em Lisboa, em vez do actual presidente Daniel Gonçalves, como noticiou o Observador e confirmou o PÚBLICO. O líder da distrital do PSD-Lisboa, Miguel Pinto Luz, afirma que as secções enviaram as suas propostas e que as discutiu com os candidatos aos municípios. “Foram feitas várias alterações, não vou personalizar nenhuma”, disse o dirigente ao PÚBLICO.

Os candidatos foram aprovados com 29 votos a favor e um contra, numa comissão política em que estiveram todos os presidentes de secção à excepção de Rodrigo Gonçalves, que lidera o núcleo central de Lisboa.

A decisão da distrital e a intenção de não permitir que Rodrigo Gonçalves integre as listas para Lisboa deixou o actual deputado municipal indignado. “Há uma deriva estalinista que está a ser protagonizada por Passos Coelho. Em 2009, Passos Coelho criticou Manuela Ferreira Leite por ela o ter vetado [para as listas a deputados]. Mas ela assumiu. Hoje deparo-me com a mesma situação. Só que Passos Coelho veta e refugia-se”, afirmou Rodrigo Gonçalves ao PÚBLICO. O líder interino da concelhia – depois da demissão de Mauro Xavier – assegura que “não será candidato a nada” porque não quer “estar associado a esta linha interna do PSD”. Actualmente é deputado municipal e integra o Conselho Nacional do partido eleito em 2016 na lista apoiada pela direcção de Passos Coelho. “Estou a divergir de uma pessoa que apoiei”, afirma, dizendo que vai “continuar a lutar” pelas suas ideias, apesar de o PSD não ser um “partido plural”. Assumindo que está “triste” com o “veto” a Daniel Gonçalves, o líder interino da concelhia argumenta: “O meu pai não tem nada a ver comigo politicamente”.

A família Gonçalves controla o núcleo central do PSD Lisboa, um dos três núcleos que compõem o partido na capital depois da extinção das secções, e detém entre 500 e 600 votos internos no partido que foram contabilizados na última eleição de delegados ao congresso.