Poesia pelas tascas e pelas ruas. O Saca Orelhas vai andar por Coimbra

Encontro de poesia começa no domingo e vai decorrer no centro histórico da cidade até ao próximo fim-de-semana.

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Diogo Baptista

Durante uma semana, o Saca-Orelhas vai passar pela Baixa de Coimbra. Entre sessões de leitura e performances, o encontro promovido pela Agência de Promoção da Baixa de Coimbra, pelo Jazz ao Centro Clube (JACC) e pelo colectivo Fractura Exposta vai levar a poesia às tascas do centro histórico.

Vítor Marques, da APBC, diz que “estava na altura de retomar este tipo de eventos no centro histórico”. O Mal Dito, festival de poesia de Coimbra, durou dois anos e teve a ultima edição em 2014. O livreiro Miguel de Carvalho, que integra agora o colectivo Fractura Exposta, fazia parte da organização do festival e fala da realização do Saca Orelhas como uma forma de “atrair públicos alternativos” ao centro da cidade.

A primeira edição da iniciativa que foi buscar inspiração ao nome de um livro de Alexandre O’Neill arranca neste domingo na Livraria Miguel de Carvalho, no Adro de Baixo, com a leitura de poemas de António Amaral Tavares pelos escritores Valério Romão e Catarina Santiago Costa.

Na perspectiva de Vítor Marques, este tipo de iniciativas “atrai um público diferente à Baixa”, sendo que a música e a poesia “acabam por levar as pessoas às tascas e aos estabelecimentos”. O responsável explica que o Mal Dito foi um precedente que acabou por inspirar este encontro.

Mas Miguel de Carvalho realça os contornos diferentes do Saca Orelhas. “Um festival tem a ver com o mercado editorial. O que nos interessa mesmo é reunir pessoas em torno da poesia, sem outros interesses”, refere. A programação, explica, procura “não massacrar as pessoas só com leituras e mesas redondas”, daí o roteiro pelas tascas e a presença de pessoas ligadas à música e à performance. Tasquinha do Fado, Tasca Chelense, Zé Manuel dos Ossos, Toca do Gato e Mijacão são os espaços que vão receber os versos declamados por Alexandre Valinho Gigas, um poeta de Coimbra.

As tascas, lembra Catarina Pires do Jazz ao Centro, “remete também para uma ideia de boémia associada à poesia”, que possibilita também “ir ao encontro das pessoas.

Os participantes no Saca Orelhas são essencialmente “gente jovem, com pouca obra publicada”, de Coimbra e Lisboa, refere o livreiro. Através do percurso, o público poderá ser “sensibilizado para o património da Baixa, onde há livreiros, antiquários, galerias, restaurantes e tascas”.

Durante a próxima semana, vão passar pelo centro histórico de Coimbra “os clássicos”, como Miguel Torga, Manuel Alegre ou João José Cochofel e nomes como Herberto Hélder, Mário Cesarinny, Manuel de Freitas, António Amaral Tavares ou Raquel Nobre Guerra, aponta Miguel de Carvalho.

Para além do roteiro e das sessões, a poesia vai marcar presença na montra das lojas, através do evento Limpa Vidros. Quem passar pelas principais vias da Baixa, como a Rua da Sofia, a Ferreira Borges, Visconde da Luz, Praça do Comércio ou 8 de Maio vai deparar-se com 21 estabelecimentos comerciais com montras onde vão estar afixados poemas.

O Saca Orelha termina no próximo domingo “aos gritos”, diz Catarina Pires citando Américo Rodrigues, que vai apresentar uma performance no Salão Brazil. Todas as iniciativas do encontro são de entrada gratuita.

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