O caso da canonização: "Salvem esse menino que é uma criança como vocês"

Pai da criança brasileira falou pela primeira vez sobre a situação que levou à canonização de Jacinta e Francisco Marto.

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Os pais da criança falaram em Fátima Paulo Pimenta
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Lucas caiu da varanda a 3 de Março de 2013, quando, com cinco anos, brincava com a irmã, Eduarda, na sua casa em Juranda, Brasil. É esta criança que está na origem do caso que levou à canonização dos pastorinhos Jacinta e Francisco Marto, anunciou esta tarde o pai da criança no Santuário de Fátima.

O pai do menino, João Batista, acompanhado da mulher, Lucila Yurie, fez uma declaração, sem direito a perguntas, contando os passos da cura de Lucas.

O acidente aconteceu pelas 20h e a criança caiu de uma altura de 6,5 metros. "Bateu com a cabeça no chão, teve um traumatismo craniano grave, com perda de massa encefálica."

Lucas foi transportado de ambulância, num percurso de mais de uma hora, para o hospital de Campo Mourão, no Paraná, onde o seu estado foi considerado "muito grave". Teve duas paragens cardíacas e foi operado com urgência, com os pais a serem avisados que ele teria "poucas possibilidades" de sobreviver. A família começou por rezar "a Jesus e a Nossa Senhora de Fátima", por quem diz ter "muita devoção". Depois, João ligou para o Carmelo de Campo Mourão, pedindo que rezassem por Lucas, mas, segundo contou, a irmã não passou o recado para comunidade. Estavam na hora do silêncio e ela pensou: “O menino vai morrer. Vou rezar pela família.”

A 6 de Março, a família foi avisada de que se Lucas sobrevivesse ficaria "com graves deficiências cognitivas ou mesmo em estado vegetativo", contou o pai. No dia seguinte, novo apelo para o Carmelo.

Desta vez, a irmã não só transmitiu o recado como se sentiu inspirada a rezar aos beatos Francisco e Jacinta Marto, cujas imagens estavam junto ao sacrário. Num "impulso", pediu-lhes: "Pastorinhos, salvem este menino que é uma criança como vocês." Toda a comunidade se uniu na oração, num apelo direcionado aos pastorinhos, contou o pai, e depois, também toda a família.

No dia 9 de Março, Lucas acordou e perguntou pela irmã. No dia 11, deixou a unidade de cuidados intensivos e a 15 do mesmo mês teve alta. "Sem nenhum sintoma ou sequela", disse João Batista, garantindo: "O que era antes, ele o é agora: sua inteligência, seu carácter, é tudo igual.” O homem disse sentir "uma imensa alegria" por a recuperação do seu filho ter permitido a canonização dos dois irmãos de Aljustrel, que serão declarados santos no sábado.

Depois do relato “simples e espontâneo” do pai da criança, a postuladora da causa da canonização dos pastorinhos, Ângela Coelho, explicou que o reconhecimento do milagre teve de esperar, porque a Congregação Para as Causas dos Santos recomendou que se esperasse algum tempo para “verificar a durabilidade da cura”. “Queriam garantir que não surgia nenhum sintoma” posteriormente, ou seja, que o acidente não deixara quaisquer sequelas. Dizendo-se “comovida” com a história de Lucas, a postuladora apontou o que considerou serem os pontos de contacto entre a história deste milagre e a dos videntes de Fátima. “Este menino, Lucas, quando acorda [do coma] pergunta imediatamente pela sua irmãzinha, Eduarda. Como não pensar em todos estes dados? São duas crianças que cuidam de uma criança, através da fé de toda uma comunidade de carmelitas, que encoraja a família, que já rezava a Nossa Senhora de Fátima, que rezasse também aos beatos Jacinta e Francisco Marto.”

Há uma última “coincidência” na história deste “milagre”. “Fiquei a saber há pouco tempo que o João e a Lucila casaram a 20 de Fevereiro de 2004, dia da festa dos beatos Francisco e Jacinta”, concluiu a postuladora.