No Porto, os 16 projectos a apoiar pelo Criatório já estão escolhidos

Mais de trezentos candidatos ficaram de fora na estreia desta bolsa de apoios da Câmara do Porto que atribui 15 mil euros para a realização de projectos artísticos.

A Mala Voadora (aqui apresentando Hamlet, em 2015) é uma das entidades apoiadas pelo Criatório
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A Mala Voadora (aqui apresentando Hamlet, em 2015) é uma das entidades apoiadas pelo Criatório Paulo Pimenta

A Associação Sonoscopia, a banda Black Bombaim, a companhia Mala Voadora ou a associação Salto no Vazio, que gere o espaço cultural Sismógrafo são alguns dos vencedores do primeiro Criatório, o programa de apoios à criação cultural lançado no final de 2016 e com o qual a Câmara do Porto se comprometeu a atribuir 15 mil euros a 16 projectos. A decisão do júri será ractificada na reunião de Câmara da próxima terça-feira.

A lista dos 16 escolhidos inclui as investigadoras e curadoras de arte Alexandra Balona e Sofia Lemos, com o projecto Estados Gerais: Pensamento e Contemporaneidade, Mário Moura, designer gráfico e docente da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, com Páginas Inquietas - sobre documentos insubmissos, os Black Bombaim, num projecto musical com Jonathan Saldanha, Pedro Augusto, Luis Fernandes, o Movimento Patrimonial pela Música portuguesa, que concorreu com Ninguém &Todo-o-Mundo, farsa lírico-turístico em torno de Gil Vicente, e a associação cultural Mala Voadora, com a produção White Rabbit, Red Rabbit.

Seguem-se a realizadora Rita Barbosa e a Take it easy – Produções Audiovisuais, com Amigos Imaginários – O Que Podemos Imaginar Juntos, a associação cultural Sonoscopia, que propôs o projecto Insono: o Ouvido Secreto das Plantas, a Salto no Vazio associação Cultural, que pediu apoio para a programação deste ano do espaço Sismógrafo, Pedro Jordão e Filipa Falcão, que candidataram o projecto audivisual Fora de Campo, a artista plástica Ana Pérez-Quiroga, que vai desenvolver ?De que casa eres? 'Los niños de Rusia', episódios de um quotidiano e Henrique Apolinário Correia, do Teatro do Frio, com Cavalo de Caixa.

Esta primeira bolsa de apoios vai financiar ainda o Programa de formação Teatral de 2018 da Estrututura Associação Cultural, o projecto Lote 36 da dupla de artistas plásticos Jérémy Pajeanc e Maria Trabulo, a produção Galeria Portátil.PLF, da editora de fotografia Pierrot Le Fou, a produção Lady & Macbeth, da criadora Ana Luena e o projecto Sugar, do Núcleo SillySeason. Os 16 obtiveram a pontuação mais alta nas avaliações do júri, que incluiu elementos da Câmara do Porto e personalidades externas, ligadas às áreas a apoiar, e que teve de analisar, em várias dimensões, 313 candidaturas, de um total de 322 que foram entregues no município.

A lista de projectos seleccionados cumpre, na diversidade de áreas artísticas, os requisitos anunciados em Novembro passado, no lançamento do Criatório. Segundo dados disponíveis no site do município, o concurso suscitou maior interesse entre os agentes culturais das artes visuais e curadoria (área à qual foram submetidas 137 candidaturas, 42% do total). Para artes performativas e programação houve 72 projectos a concurso (23%); seguindo a composição, programação e performance musical (54 candidaturas, 17%); e a área da literatura, investigação e pensamento crítico (com 53 candidaturas, 17%).

Todos os projectos vão ser desenvolvidos no Porto durante os próximos meses, até um prazo máximo de um ano, com acompanhamento do município, que exige a apresentação de um relatório final. O resultado, seja uma exibição ou edição, terá que estar concluído até ao final de 2018.

Novas regras para fixar comerciantes do Bolhão

Na próxima reunião de Câmara, o executivo municipal votará também uma proposta para alteração da Tabela de Taxas e Licenças do município, para garantir a transmissão, sem custos, da titularidade das licenças de bancas no Bolhão para pessoas que as estejam a ocupar há vários anos, sem essa licença, após a morte ou abandono dos titulares. O regulamento já previa que, em caso de transmissão para cônjuges ou familiares em primeiro grau, não haveria taxas a pagar, mas, se a licença fosse passada para um neto, por exemplo, ou para um colaborador sem qualquer ligação familiar é exigido um valor equivalente a 24 taxas mensais.

Rui Moreira considera imprescindível levar par o futuro mercado reabilitado todos os actuais comerciantes que desejem manter-se em actividade, e propõe por isso a isenção de taxas, neste período de transição,  para familiares do titular da licença, que se encontrem registados como auxiliares há mais de dois anos, ou para auxiliares registados há mais de cinco anos, mesmo que não sejam familiares do titular. Com isto a autarquia perde dez mil euros, mas impede, explica o autarca na proposta,  "algumas situações de injustiça".