A Morte do Artista passada em revista

Número inaugural da revista A Morte do Artista, dedicado ao escritor Mário de Carvalho, é lançado dia 13 em Lisboa.

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Capa do número inaugural de A Morte do Artista

Quatro autores que já se conheciam daqui e dali juntaram-se em Maio de 2015 para uma leitura encenada de excertos de livros seus, que teve lugar na vetusta Sociedade de Instrução Guilherme Cossul, em Lisboa. Nascia assim o colectivo A Morte do Artista, que agora se prepara para lançar o primeiro número de uma revista com o mesmo nome.

Com ficção, poesia, ensaio e ilustração, e com um formato que se quer mais próximo do fanzine do que do livro, este número inaugural de A Morte do Artista presta tributo ao romancista Mário de Carvalho, que participa com uma ficção inédita, na qual se alude, aliás, ao grave tópico da morte do artista:

“– Pois. Agora quer o divórcio, ou não sei quê. Estás a ver? A gente mora no Alto da Ajuda. A pensão era em Chelas, na outra ponta da cidade…

– Se calhar deixaste o carro parado à entrada da pensão.

– Calhou! Um gajo encontra um lugar mesmo a jeito, estaciona, e o resultado é este…

– Claro, a morte do artista. Um homem tem de se prevenir, antecipar, defender-se, já vês…”

Lançada no próximo dia 13 na Biblioteca Camões, no largo do Calhariz, em Lisboa, numa sessão que incluirá leituras encenadas de textos da revista, A Morte do Artista tem como núcleo duro os escritores Manuel Halpern, João Eduardo Ferreira, Fernanda Cunha e Firmino Bernardo, aos quais se juntou o artista plástico, fotógrafo e videasta Paulo Romão Brás, responsável pelo grafismo.

Além da ficção de Mário de Carvalho e de contos, poemas e ensaios dos quatro fundadores, a publicação inclui colaboração de Alfredo Cameirão, Carlos Bessa e Pedro Castro Henriques, um extenso ensaio de Natália Constâncio sobre a obra de Mário de Carvalho, e ainda ilustrações de André Ruivo.

Nascido em 2015 já “com os pés para a cova”, como se assume no editorial, o colectivo A Morte do Artista espera ainda assim ir conseguindo produzir, desejavelmente a um ritmo anual, novos números da revista, que deverão homenagear sempre um autor diferente.

A par do dossier dedicado ao autor de Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, Era Bom que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto ou o recente Ronda das Mil Belas em Frol, a restante colaboração deste número organiza-se em torno de dois motes: “a morte do artista” e “aprender a cair para cima”, este último agrupando textos que “tratam da frustração de quem tenta editar e não consegue fazê-lo”, diz Manuel Halpern, que esclarece também a origem do nome do colectivo e da revista. "A ideia dessa sessão que fizemos na Guilherme Cossul era a de que quando o criador tem de se promover a si próprio... é a morte do artista".