“Querido povo português.” O Papa Francisco vem a Fátima rezar por todos, “sem excluir ninguém”

Num vídeo divulgado nesta quarta-feira pelo Vaticano, o Papa Francisco pede desculpa por circunscrever a sua visita a Fátima.

São pouco mais de quatro minutos, mas foi o tempo suficiente para o Papa Francisco se dirigir aos portugueses, numa mensagem que antecede a sua visita ao Santuário de Fátima, nesta sexta-feira e sábado, para a celebração do centenário das aparições. Apelando à oração e reafirmando a sua vertente mais ecuménica, dizendo que, enquanto “pastor universal” estão confiados aos seus cuidados, por Jesus, “os irmãos e irmãs do mundo inteiro resgatados pelo seu sangue, sem excluir ninguém”, o Papa começa a mensagem dirigindo-se ao “querido povo português”. E pede desculpa por não poder ir a todo o lado.

“Bem sei que me queríeis também nas vossas casas e comunidades, nas vossas aldeias e cidades. O convite chegou-me. Escusado será dizer que gostaria de o aceitar, mas não me é possível”, afirma em português o Papa Francisco no vídeo divulgado pelo Vaticano e em que aproveita para agradecer às autoridades nacionais a compreensão por a sua visita se “circunscrever aos momentos e actos próprios de peregrinação no Santuário de Fátima”.

No seu apelo à oração, Francisco diz que precisa da “união física ou espiritual” de todos. “O importante é que seja do coração”, apela, referindo-se aos que estão sob o seu cuidado como o seu “bouquet de flores”. E não deixa dúvidas sobre o carácter da peregrinação que irá empreender, recuperando a mensagem inicial dos fenómenos de Fátima, basicamente constituídos pelo apelo à oração e ao recitar do terço e pela necessidade de conversão dos pecadores. “Entregai-vos todos a Nossa Senhora, pedindo-lhe para segredar a cada um: 'o meu imaculado coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus. Com Maria, peregrino na esperança e na paz.' Assim reza o lema desta nossa peregrinação, sendo todo ele um programa de conversão”, refere na mensagem divulgada esta quarta-feira.

Descrevendo-se como “um pecador entre pecadores”, o Papa aproveita para agradecer “as orações e sacrifícios” que diz serem oferecidos “diariamente” em seu nome e refere-se ao centenário das Aparições como “um momento abençoado, que culmina um centenário de momentos abençoados”. “A oração ilumina os meus olhos, para saber olhar os outros como Deus os vê, para amar os outros como Ele o sabe. No seu nome venho até vós na alegria de partilhar convosco o Evangelho da esperança e da paz”, diz.

O Papa Francisco fará uma curta visita a Portugal, centrada exclusivamente em Fátima, onde se deslocará como peregrino. Está previsto que chegue àquela localidade pelas 16h30 de sexta-feira, fazendo uma visita à Capelinha das Aparições pelas 18h15 e realizando a bênção das velas que antecedem a procissão nocturna, pelas 21h30. No dia 13, presidirá à missa das 10h, que incluirá a cerimónia de canonização de duas das crianças que dizem ter visto a Virgem Maria na Cova da Iria em 1917, Jacinta e Francisco Marto. O Papa tem ainda encontros agendados com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no dia 12, e com o primeiro-ministro, António Costa, no dia 13.

Já nesta quarta-feira, na audiência pública na Praça de S. Pedro, no Vaticano, o Papa referiu-se à sua visita a Fátima, afirmando, numa citação reproduzida pela Lusa: "Sexta-feira e sábado, se Deus quiser, viajarei como peregrino a Fátima para pôr nas mãos da Virgem o destino temporal e eterno da humanidade e suplicar pela sua intercessão e a bênção do céu.”