Jornadas do CDS em Aveiro entram pela agenda da esquerda

Deputados reúnem-se dois dias num distrito em que governam duas câmaras.

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Daniel Rocha

Com um pé nas autárquicas e outro na política económica, os deputados do CDS-PP vão reunir-se estas terça e quarta-feiras no seu distrito mais forte em termos de poder local: Aveiro. Nas jornadas parlamentares, o partido liderado por Assunção Cristas vai debater o factor trabalho no crescimento económico, um tema que é habitualmente discutido pela esquerda, bem como a descentralização. Nas duas áreas, as jornadas servirão para a bancada preparar propostas legislativas.  

Com a competitividade regional como pano de fundo, os deputados começam o dia a visitar empresas do distrito de Aveiro. À tarde, o CDS convidou dois representantes de um dos fóruns que mais valoriza: a concertação social. O ex-líder da UGT João Proença e o vice-presidente da Confederação Empresarial de Portugal, Rafael Campos Pereira, bem como o reitor da Universidade de Aveiro, Manuel António Assunção, vão debater a importância do factor trabalho no crescimento económico.

A poucos meses das autárquicas, o CDS quis dar também um sinal da sua aposta forte em Aveiro, onde governa em duas câmaras, Albergaria-a-Velha e Vale de Cambra. No distrito que era o círculo eleitoral do antigo líder Paulo Portas, o partido conta com outros autarcas. Na Junta de Freguesia de Vagos e Santo António, por exemplo, os centristas foram a segunda força mais votada, a seguir ao PSD, nas últimas eleições intercalares em 2015. Em Águeda, o CDS aposta em manter o vereador eleito em 2013. Já em Oliveira do Bairro, o partido perdeu o seu vereador também eleito nas últimas autárquicas: Paulo Caiado entrou em ruptura com o líder da distrital, Jorge Pato, desfiliou-se do partido e constituiu um movimento independente. Dirigentes e autarcas do distrito vão reunir-se num jantar esta terça-feira.

No segundo e último dia das jornadas, o CDS insiste num tema autárquico - a descentralização – e organiza um debate com Vítor Mendes, o presidente da Câmara de Ponte de Lima (o bastião centrista) e José Ribau Esteves (PSD), presidente da Câmara de Aveiro. O Governo aprovou uma proposta, em Fevereiro, que se encontra no Parlamento na fase de audições. Só que há pontos polémicos e, segundo o jornal i, o executivo planeia contornar a Assembleia da República – onde precisa do apoio do PSD - e fazer aprovar alguns aspectos através de decretos-lei após as autárquicas. Para o CDS, esta situação é inaceitável. O líder da bancada, Nuno Magalhães, rejeita “qualquer tipo de regionalização encapuzada ou mais ou menos mal-amanhada”, feita “à socapa” pelo Governo.