Macron avisa União Europeia: ou se reforma ou enfrentará um "Frexit"

“A disfuncionalidade da UE não é sustentável", disse o candidato à BBC. A extrema-direita de Marine Le Pen fez o seu comício de 1 de Maio nos arredores de Paris.

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Emmanuel Macron Reuters/PHILIPPE WOJAZER
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Marine Le Pen no comício nos arredores de Paris Reuters
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Jean-Marie Le Pen no seu comíico junto à estátua de Joana d'Arc Reuters

Emmanuel Macron, o candidato que as sondagens dão como favorito na segunda volta das eleições presidenciais francesas, considera que “a disfuncionalidade da UE [União Europeia] não é mais sustentável” e que o projecto europeu tem de ser profundamente reformado, sob pena de a França o abandonar.

“Sou um pró-europeu. Nestas eleições, tenho defendido constantemente a ideia da Europa e as políticas europeias, porque acredito que é extremamente importante para o povo francês e para o lugar do nosso país na globalização”, começou por dizer o candidato centrista, em declarações à BBC.

“Mas ao mesmo tempo temos de enfrentar a situação, ouvir o povo que está extremamente zangado hoje em dia, impaciente, e que a disfunção da UE não é mais sustentável”, acrescentou o candidato do movimento EnMarche!.

“Por isso, considero que o meu mandato será para reformar profundamente a União Europeia e o projecto europeu”, disse Macron, argumentando que seria uma “traição” se deixasse a UE continuar como até agora.

"E eu não quero isso. Porque no dia seguinte teremos um 'Frexit' [saída da França da UE] ou teremos a Frente Nacional outra vez”, avisou o candidato, não especificando se seria ele a desencadear essa saída da União Europeia ou se seria uma consequência inevitável da inacção. 

Macron é, segundo as sondagens, o favorito à vitória nas eleições francesas que se realizam a 7 de Maio.  Os inquéritos dizem que a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, ficará em segundo.

Le Pen fez esta segunda-feira um grande comício nos arredores de Paris, em  Villepinte, e atacou Macron, chamando-lhe o "candidato da "continuidade".

A Frente Nacional costuma fazer o seu comício de 1 de Maio em Paris junto da estátua de Joana d'Arc, um símbolo do patriotismo há muito adoptado pela Frente Naiconal, mas este ano apenas um pequeno grupo de membros da linha dura estiveram presentes, ao lado do fundador do partido, Jean-Marie Le Pen.