Deputado do PS estranha tolerância de ponto em dia da chegada do Papa

Governo anunciou esta quarta-feira que no dia 12 de Maio a função pública está dispensada de trabalhar.

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Reuters/TONY GENTILE

"Não é muito comum encontrar erros no Governo que apoio e para cuja maioria trabalho diariamente no Parlamento, mas aqui está um. E especialmente disparatado". Tiago Barbosa Ribeiro, deputado do PS eleito nas listas do Porto, reage assim ao anúncio do Governo de que haverá tolerância de ponto para os funcionários públicos no dia da chegada do Papa a Portugal, sexta-feira, 12 de Maio.

"Causa-me enorme estranheza e estupefacção que o Governo da República Portuguesa se prepare para conceder tolerância de ponto a propósito da viagem do Papa a Fátima", começa por escrever Tiago Barbosa Ribeiro na sua página do Facebook. "Não conheço as razões que serão invocadas no decreto, mas já antecipo que sejam facilmente rebatíveis: não pode fundamentar-se na viagem de um Chefe de Estado estrangeiro e ainda menos na viagem de um líder confessional". Se assim fosse, defende o parlamentar, passaria a ser "legítimo invocar o mesmo princípio para membros de outras religiões e, sobretudo, para quem não tem qualquer religião e vive num Estado laico, tendo também direito a tolerâncias para participar nos espectáculos que entenda".

A deputada Isabel Moreira, do PS, também desabafou no Facebook, escrevendo que é “perante decisões como a do Governo de conceder tolerância de ponto aquando da ida do papa a fátima que sabemos da imaturidade do Regime” [SIC].

A tolerância de ponto causou mais estranheza ao parlamentar socialista do Porto do que ao Bloco de Esquerda ou ao PCP. Questionados pelo PÚBLICO sobre a decisão do Governo, ambos os partidos evitaram comentários desenvolvidos. O BE ainda disse que a "decisão é do Governo" e que "não se opõe", e os comunistas recusaram comentar. Já Tiago Barbosa Ribeiro ainda acrescentou na rede social que "necessitamos de outra maturidade democrática e esta atitude irá no sentido inverso".