Uma longa portuguesa na Quinzena de Cannes: A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho

Junta-se a três curtas que, em sessões paralelas à Selecção Oficial, passam a ser a presença portuguesa no festival.

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Depois da falência de uma fábrica, uma aventura colectiva dr

A Terratreme Filmes e a Portugal Film - Agência Internacional de Cinema Português acabam de anunciar a estreia mundial de A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho, na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes (18 a 28 de Maio de 2017).

Num comunicado, uma nota do cineasta revela a intenção de, com o seu filme, partir dos últimos anos que vivemos em Portugal e na Europa, "período de redefinição brutal da forma como nos acostumámos a olhar para o mundo": a falência de uma fábrica de elevadores serve de "microcosmos e parábola para explorar dramaticamente as texturas e consequências desse sentimento de impotência que atravessou a grande maioria das pessoas durante este período das nossas vidas." Gente que tenta "manter-se de pé e procurar os caminhos da reconfiguração da sua vida", pessoas que, "ao verem colapsar o seu trabalho e todas as instituições que julgavam sólidas, vêem-se empurrados a embarcar — com relutância e medo — numa experiência inesperada, numa aventura colectiva" — a do filme dura quase três horas.

A sinopse descreve um grupo de operários que percebe que a administração está a roubar máquinas e matérias-primas da sua fábrica e que, ao decidirem organizar-se para proteger equipamentos e impedir o deslocamento da produção, são forçados — como retaliação — a permanecer nos seus postos sem nada que fazer enquanto prosseguem as negociações para despedimentos.

O filme de Pedro Pinho (Bab Sebta, co-realizado com Frederico Lobo em 2008; Um Fim do Mundo, 2013; As Cidades e as Trocas, co-realizado com Luísa Homem em 2014) estará na Quinzena dos Realizadores ao lado de Alive in France, de Abel Ferrara (que é descrito como um documentário e um auto-retrato de Ferrara, através da música dos seus filmes), L’Amant d’un Jour, de Philippe Garrel, Frost, de Sharunas Bartas, com Vanessa Paradis, Jeannette, L’Enfance de Jeanne D’Arc – uma comédia musical pelo realizador de Ma Loute, filme que está neste momento nas salas portuguesas, e sobre a qual Dumont falou ao Ípsilon em entrevista, revelando tratar-se de um musical sobre a infância da donzela de Domrémy, na Lorena, com ambientes musicais de electro pop e coreografias de Philippe Découflé —, Un Beau Soleil, de Claire Denis, filme com Julienne Binoche, Gérard Depardieu e Josiane Balasko, que fará a abertura da secção, West of the Jordan River (Field Diary Revisited), documentário de Amos Gitai sobre as relações israelo-palestinianas depois de 70 anos de conflito, ou L'intrusa de Constazo Di Costanzo, um filme sobre uma mullher-terrorista.

Depois de, na semana passada, ter sido anunciada a Selecção Oficial — que não reteve nenhuma obra de produção nacional — as secções alternativas Quinzena dos Realizadores e Semana da Crítica anunciaram, respectivamente, as curtas Farpões, baldios, de Marta Mateus, e a animação Água mole, de Laura Gonçalves e Xá (Quinzena) e Coelho Mau, de Carlos Conceição (Semana da Crítica).