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Luís Montenegro contra primárias no PSD reafirma apoio a Passos Coelho

Líder parlamentar defende ser preciso discutir não eleições internas dos partidos mas o sistema eleitoral para a Assembleia da República e para a escolha do Governo.

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Nuno Ferreira Santos

Luís Montenegro, líder parlamentar social-democrata e apontado como um dos possíveis sucessores de Pedro Passos Coelho à frente do partido, disse este domingo em Leiria ser contra a realização de eleições primárias no seu partido e reafirmou o seu apoio ao actual líder do PSD. O dirigente respondia assim à questão levantada esta semana pelo ex-ministro Miguel Relvas, que defendeu, depois de um almoço-conferência de Luís Montenegro em que também participou, que o PSD devia começar a pensar já em discutir a realização de eleições primárias a seguir às autárquicas de 1 de Outubro para escolher o futuro candidato social-democrata a primeiro-ministro. O assunto deixou incomodadas algumas figuras do partido que preferiam todos no PSD concentrados na preparação das autárquicas.

À margem da IX Academia de Jovens Autarcas, organizada pela JSD de Leiria, Luís Montenegro afirmou não concordar com "essa ideia". "Nunca fui um grande adepto das eleições primárias. Creio que o PSD não precisa de legitimar as suas lideranças por essa via. Não há no panorama político e partidário português essa tradição e a experiência que houve no Partido Socialista foi um perfeito fracasso", salientou.

O presidente do grupo parlamentar do PSD precisou que "se a ideia [do PS] era que houvesse uma mobilização muito grande e representativa de um sentir do povo português, isso caiu por terra, porque o dr. António Costa ganhou as eleições primárias e perdeu - e por muito - as eleições legislativas". Ou seja, "não radicou na realização de eleições primárias nenhum movimento político especial dos eleitores".

Reconhecendo que o ex-governante do PSD Miguel Relvas não é a única pessoa do partido a defender as primárias, Luís Montenegro sublinhou: "Sou contra essa ideia". Para o líder parlamentar social-democrata, não são as eleições primárias que o sistema político e partidário português precisa de discutir.

"É saber se nós queremos um sistema político eleitoral no qual as pessoas quando votam nas eleições legislativas, para além de escolherem deputados, escolhem também uma liderança governativa e um projecto base de governação. Isso aconteceu sempre nas eleições legislativas em Portugal, mas não nas últimas." Luís Montenegro defendeu que "o povo tem direito a escolher a liderança do Governo e a escolher a base do programa da governação".

Sobre o facto de alguns o apontarem como o futuro líder do PSD, o próprio afirmou estar ao lado do presidente do partido, Pedro Passos Coelho. "O partido tem uma liderança muito estável. Terá congresso no próximo ano e se alguém quiser disputar essa liderança acho que deve fazê-lo, se sentir [que tem] essas condições", disse. "A minha posição também é conhecida: apoio o dr. Pedro Passos Coelho e quero com ele construir um caminho de afirmação política do PSD, que tem como objectivo vencer as terceiras eleições legislativas consecutivas e podermos dar ao país uma governação bem mais ambiciosa do que aquela que temos hoje", acrescentou.

Luís Montenegro considerou ainda que o "país e o Governo contentam-se com pouco, quando é motivo de regozijo do primeiro-ministro poder dizer ao país que o rating da República continua como está, em vez de ambicionar a melhoria desse rating, porque essa melhoria teria um impacto económico muito significativo e permitiria que o país se pudesse financiar a um custo menos oneroso".

Lamentou que o primeiro-ministro se "circunscreva a ficar satisfeito com a situação actual tal como ela está em vez de ambicionar mais crescimento, na esteira daquilo que tem sido a sua posição de ir alicerçando a sua governação, não naquilo que já foi capaz de acrescentar em valor ao país, mas naquilo que herdou do Governo anterior". E rematou: "Este é um primeiro-ministro da herança, não é um primeiro-ministro da mudança e do crescimento."

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