O primeiro dia do Reino Unido sem carvão desde a revolução industrial

Pela primeira vez, desde finais do século XIX, a electricidade utilizada num dia veio apenas do gás, nuclear, vento e sol.

A National Grid gere a rede eléctrica em alta do Reino Unido
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A National Grid gere a rede eléctrica em alta do Reino Unido Reuters/DARREN STAPLES

Tantas vezes se declara que um momento é histórico que, por vezes, a humanidade já duvida, mas Cordi O'Hara, directora de operações da National Grid (multinacional que está para o Reino Unido como a REN está para Portugal), não se terá enganado quando declarou a sexta-feira 21 de Abril de 2017 como um "momento histórico": pela primeira vez desde 1880, ou seja, desde os tempos da revolução industrial que começou precisamente ali, a electricidade necessária durante 24 horas não veio do carvão, mas sim de outras fontes de energia.

O feito foi confirmado pela própria companhia, através de um comunicado e no próprio Twitter. A imprensa local não passa ao lado deste acontecimento inédito desde os finais do século XIX.

"Sexta-feira, 21 de Abril de 2017 foi o primeiro período de 24 horas desde os anos de 1880 em que a Grã-Bretanha não utilizou as estações alimentadas a carvão", informa a empresa. A BBC dá mais alguns detalhes, por seu lado: "Acredita-se que sexta-feira foi a primeira vez que o país não usou carvão para gerar electricidade desde a inauguração do primeiro gerador público do mundo a carvão, inaugurado em 1882, em Londres", escreve o canal britânico na edição online. "Ter o primeiro dia sem carvão desde o início da revolução industrial é um momento histórico na forma como o nosso sistema energético está a mudar", comentou O'Hara, citada pela BBC.

Portugal já foi notícia por alimentar as suas necessidades eléctricas com fontes renováveis. Aconteceu em 2016, e segundo os dados referidos então, o país terá estado a ser alimentado durante quatro dias só com fontes de energia renovável.

Segundo dados da Bloomberg, cerca de metade da electricidade consumida pelo Reino Unido provém de gás, 30% vem de fontes renováveis e importação e o restante de centrais nucleares. O objectivo de longo prazo é desligar as centrais de carvão até 2025. Até ao momento, o Reino Unido é o maior proprietário de turbinas eólicas colocadas no mar e a capacidade dos painéis solares equivale à de sete reactores nucleares, refere a mesma agência.

Não terá sido por acaso que este feito se tenha registado numa sexta-feira, sublinha por seu lado a BBC, porque é um dia em que o consumo de electricidade na indústria é tradicionalmente menor. Hanna Martin, da Greenpeace UK, comenta o sucedido com satisfação, em declarações citadas pela Bloomberg: "Um dia sem carvão seria impensável há uma década. E dentro de dez anos o nosso sistema energético estará radicalmente diferente outra vez."