Opinião

Cartas ao director

A liberdade de não vacinar os filhos

Andam por aí umas pessoas para quem só o natural é bom e que, portanto, só comem alimentos biológicos e trocam a farmácia pela ervanária. Dentro desta lógica não querem vacinar os filhos e acham que são livres de o fazer. Esquecem (ou não sabem) que o velho artigo 4.º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (aprovada durante a Revolução francesa) diz (em tradução literal) que “a liberdade consiste em poder fazer tudo o que não prejudicar os outros”. Para mim, é a melhor tradução de liberdade que conheço e por ela ninguém tem o direito de não vacinar os filhos, porque os prejudica ao deixá-los desprotegidos e prejudica ainda outros (…). Por isso, sou a favor de vacinas obrigatórias com penalizações para quem não cumpra a lei.

Carlos Anjos, Lisboa

Vacinação

“Nenhuma creche devia permitir a entrada de crianças sem boletim de vacinação em dia.” As palavras de Manuel Carmo Gomes, da Direcção-Geral da Saúde, deviam ser postas em prática. Descuidar as indicações médico-científicas da necessidade de vacinação é atentar contra a vida. As técnicas de imunização aos diferentes vírus dão vida à vida. Foi preciso morrer uma jovem de 17 anos para que a taxa de protecção da vacinação contra o vírus do sarampo seja equacionada na pátria lusa.

Ademar Costa, Póvoa de Varzim

Num país…

Num país em que os cidadãos votaram maioritariamente na oposição nas últimas eleições legislativas, retirar poderes ao Parlamento e proibir o seu líder de se candidatar às presidenciais é ditatorial. Num país com um dos maiores índices de criminalidade do mundo, distribuir armas a civis é criminoso. Num país em que, por falta de divisas, escasseia o pão, os produtos de primeira necessidade e os medicamentos, comprar meio milhão de armas para as milícias é desumano. Esse país existe, chama-se Venezuela e é dirigido por um louco chamado Maduro que conta em Portugal com bastantes apoiantes!

Helder Pancadas, Sobreda

Recuperei o orgulho de ser português

Com os 43 anos de Abril, apetece-me citar o nosso grande e saudoso Ary dos Santos — agora já ninguém cerra as portas que Abril abriu. Nem a Merkel! Vontade não lhe faltou, mas o 25 de Abril, que está bem enraizado no povo português, acabou por vencer. Quando Portugal era uma colónia da Alemanha, nos tempos negros de Passos e Portas, e só os gregos, liderados por Tsipras, batiam o pé à senhora Merkel, costumava dizer: sinto-me mais grego que português! Mas, agora, com os ventos de mudança que sopram no meu país, já recuperei o orgulho de ser português. E é com visível satisfação que vejo o nosso primeiro-ministro distanciar-se de Bruxelas, recusando uma política de austeridade, mas tendo as contas públicas em ordem, e demonstrando que havia alternativa a Passos, como sempre disse. Que a maioria de esquerda se mantenha coesa e unida. Talvez seja a melhor forma de celebrar os 43 anos de Abril.

Simões Ilharco, Lisboa