Arkansas executa primeiro dos oito condenados no corredor da morte

Ledell Lee recebeu a injecção letal horas depois de o Supremo Tribunal dos EUA ter rejeitado um recurso contra as oito execuções planeadas pelo estado até ao final do mês.

Os estados que mantêm a pena de morte têm tido dificuldades em obter as substâncias químicas usadas na injecção letal
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Os estados que mantêm a pena de morte têm tido dificuldades em obter as substâncias químicas usadas na injecção letal Reuters (arquivo)

Foi executado na última noite o primeiro dos oito condenados que o estado do Arkansas planeava matar até ao final do mês, quando expira a validade da substância usada na injecção letal. Ledell Lee tinha sido condenado há duas décadas pelo homicídio de uma mulher, um crime do qual continuava a declarar-se inocente.

A execução, a primeira no estado em 12 anos, realizou-se horas depois de o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter rejeitado um recurso apresentado pelos condenados em que estes alegavam que a aceleração das execuções era injusta e representava um “castigo cruel e desumano”. A decisão dividiu a instância suprema norte-americana, com o juiz Neil Gorsuch, nomeado pelo Presidente Donald Trump, a colocar em maioria os conservadores (5-4).

Também na quinta-feira, o supremo tribunal do Arkansas tinha anulado a decisão de uma instância inferior que bloqueara o uso de uma substância alternativa nas execuções.

A primeira das três execuções prevista para esta semana foi cancelada por estarem ainda a decorrer processos nos tribunais e o outro detido conseguiu adiar o cumprimento da pena, igualmente agendada para esta quinta-feira, a fim de serem realizados novos testes de ADN que, segundo os seus advogados, conseguirão provar que ele está inocente.

Ledell Lee foi condenado por ter espancado com uma barra de ferro até à morte Debra Reese, em 1993. A família da vítima “esperou 24 anos para que fosse feita justiça”, afirmou a procuradora-geral do Arkansas.

Mas numa entrevista recente à BBC, Lee insistia que estava inocente do crime e descreveu o corredor da morte, no qual passou as últimas duas décadas, como um “pesadelo em vida”.

Como outros estados norte-americanos que mantêm a pena de morte, o Arkansas tem tido dificuldades em obter as substâncias químicas usadas na injecção letal, já que são raras as farmacêuticas que aceitam vender os seus produtos para esse fim. Os lotes actuais da droga usada no Arkansas expiram a 30 de Abril e a companhia que a produz acusou as autoridades penitenciárias de terem terem comprado o produto omitindo o fim a que se destinava.

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