No aniversário do Theatro Circo somos convidados a olhar para a Síria

Metade das receitas de bilheteira de “Antes que matem os elefantes”, peça de Olga Roriz que sobe ao palco esta noite, revertem para a Unicef e há uma recolha de bens para famílias refugiadas a decorrer todo este mês.

Alexandre Ribeiro / Nfactos
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Alexandre Ribeiro / Nfactos

O palco é em Braga, mas o olhar é sobre a Síria. No dia em que completa 102 anos, o Theatro Circo convida o público a reflectir sobre a guerra naquele país do Médio Oriente. O espectáculo escolhido para subir ao palco para assinalar a data, nesta sexta-feira, é “Antes que matem os elefantes”, uma reflexão da coreógrafa Olga Roriz sobre o conflito que dura há mais de seis anos. Metade das receitas de bilheteira revertem a favor da Unicef e paralelamente, o teatro bracarenses promove uma recolha de bens para famílias refugiadas a viver na cidade.

O Theatro Circo chama-lhe “aniversário solidário” e foi pensado para “dar maior visibilidade” àquela que é, no entender da sua administradora, Cláudia Leite, também uma das missões de um teatro municipal: “reflectir sobre os problemas do mundo”. “A participação cívica é cada vez mais tímida e nós não podemos contribuir para que as pessoas se alheiem. As artes são uma forma de pensarmos sobre as questões da actualidade”, sublinha.

A escolha do espectáculo para o dia de aniversário “foi feita em função desse objectivo”, acrescenta Cláudia Leite. “Antes que matem os elefantes”, que está esta sexta-feira em cena na sala principal do Theatro Circo, é uma criação da Olga Roriz estreada em Abril do ano passado, em Ílhavo, e que tem feito uma carreira longa pelos palcos do país. Nesta peça para sete bailarinos, a coreógrafa reflecte precisamente sobre o caos, a destruição e o sentimento de fim da humanidade que lhe é suscitado pelo prolongado conflito na Síria.

Para acentuar essa atenção dada à guerra, o Theatro Circo decidiu que 50% das receitas de bilheteira de “Antes que matem os elefantes” será doada à Unicef. Os bilhetes custam 15 euros. Ao mesmo tempo, o teatro de Braga Circo está a promover, durante todo este mês, uma recolha de bens destinada às cinco famílias sírias que vivem na cidade com o estatuto de refugiado.

A campanha privilegia a entrega de brinquedos e produtos destinados a crianças como fraldas ou outros produtos de puericultura, uma vez que aquelas famílias são “numerosas”, descreve a administradora, Cláudia Leite. Para quem tiver intenção de doar outro tipo de bens, o teatro disponibiliza também uma caracterização das várias pessoas que compõem estas famílias, indicando o tamanho de roupa ou calçado que estas usam, bem como outras necessidades.

Depois do aniversário, as atenções do Theatro Circo viram-se para o ciclo Respira!, que tem o piano e a voz no centro das suas propostas, que decorre durante todo o próximo mês. O primeiro concerto desta série vai proporcionar a estreia em Portugal do inglês Douglas Dare, a 12 de Maio. No mesmo âmbito, o palco principal daquele teatro recebe ainda Wim Mertens (13 de Maio), Dakota Suite, de Chris Hooson, acompanhado pelo pianista Quentin Sirjack (20 de Maio), encerrando com o canadiano Rufus Wainwright, no último dia do mês.

Nos próximos meses passam ainda por Braga os brasileiros Liniker e os Caramelows (17 de Junho), e Maria Gadú (4 de Agosto) e, depois do Verão, Jay-Jay Johanson (14 de Outubro) e Christopher Paul Stelling (17 de Outubro.