Em que pé está a candidatura de Mafra a património mundial?

Dossier está pronto há quase três meses e ainda em fase de apreciação pela Comissão Nacional da UNESCO. Propõe que se candidate o conjunto formado pelo Real Edifício, o Jardim do Cerco e a Tapada Nacional de Mafra.

O Real Edifício inclui o palácio, o convento e a basílica
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O Real Edifício inclui o palácio, o convento e a basílica Nuno Ferreira Santos

Há quase dez anos que se fala da candidatura de Mafra a património mundial, mas só em 2010 se constituiu a unidade de missão encarregue de elaborar o dossier para a submeter à apreciação da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, na sigla em inglês).

Esse dossier, pronto e entregue à Comissão Nacional da UNESCO desde o início de Fevereiro, está agora na fase de revisão para que possa seguir o seu caminho administrativo até que chegue às mãos do Comité do Património Mundial. Quando é que isso poderá acontecer, e o que falta para que isso aconteça, o PÚBLICO não sabe ainda, já que a comissão nacional, entidade afecta ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e coordenada pela embaixadora Ana Martinho, não respondeu às perguntas enviadas há mais de um mês nem reagiu a sucessivas tentativas de contacto.

Ao que o PÚBLICO apurou, o que o dossier propõe que o Estado português candidate a património mundial no que a Mafra diz respeito é um conjunto que engloba o Real Edifício (palácio, convento, basílica), todo o perímetro da Tapada Nacional, circunscrito por 21 quilómetros de muro, e o Jardim do Cerco, que corresponde à antiga cerca conventual. Ao todo, 1200 hectares, uma área recheada de valores culturais, com destaque para a arquitectura, a escultura, o magnífico e único conjunto de órgãos da basílica e uma biblioteca histórica que está entre as mais importantes do mundo.

A proposta de declaração de "valor universal excepcional" do conjunto de Mafra assenta em quatro dos critérios previstos pela UNESCO, entre eles o que abrange obras-primas do “génio criativo humano” e o que se aplica a edifícios e conjuntos arquitectónicos, tecnológicos ou de paisagem capazes de ilustrar vários épocas históricas.

A unidade de missão que fez a candidatura – três pesados volumes com mais de mil páginas, dois deles de anexos, como é habitual nestes processos muito exigentes em termos documentais –, é composta por representantes da autarquia, da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), do Exército português, do Patriarcado de Lisboa, e da Tapada Nacional de Mafra. A sua coordenação é assegurada pela vereadora da Cultura de Mafra, Célia Fernandes, e pelo arquitecto Luís Pinho Lopes, da DGPC.