Militares de Abril pedem medalha para “ostentar no peito o orgulho” pela revolução

O pedido foi feito pelo coordenador da obra Operação Viragem Histórica”, lançada na Associação 25 de Abril perante o Presidente da República.

LUSA/António Cotrim
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LUSA/António Cotrim

O lançamento do livro Operação Viragem Histórica foi aproveitado pelo coordenador da obra, Carlos Almada Contreiras, para lamentar o “esquecimento da instituição militar” quanto à criação de uma medalha militar comemorativa da Revolução de Abril e insistir na sua importância.

“Seria uma forma de todos os que participaram na Operação Viragem Histórica poderem ostentar no seu peito o orgulho de nela terem participado”, afirmou aquele que era o chefe do centro de comunicações da Armada no momento da revolução, tendo sido, por estas funções, um elemento fundamental para o sucesso da mesma.

O alerta foi dado na Associação 25 de Abril, na presença de dezenas de antigos militares e de dois dos protagonistas, Vasco Lourenço e Otelo Saraiva de Carvalho, tendo na primeira fila o Presidente da República e comandante supremo das Forças Armadas.

Na sua internvenção, Marcelo Rebelo de Sousa não respondeu ao repto, até porque não lhe competia. Preferiu antes agradecer. Agradecer o convite e a obra, que enalteceu como documento histórico incontornável, mas também à Associação 25 de Abril e aos militares que participaram na revolução. E deixar alertas.

“Viver em democracia faz esquecer o que significa viver em liberdade e democracia. Mas este facto não é evidente nem um dado adquirido, é uma realidade que custou a construir e que tem de ser construída todos os dias”, afirmou. Face aos populismos e aos movimentos anti-sistémicos que “prometem regressos a passados impossíveis ou a futuros inviáveis”, avisou que “a capacidade para responder a estes novos desafios tem de estar presente” nas instituições democráticas, mas também nos movimentos sociais, culturais e de intervenção.

“A mais imperfeita democracia é melhor que a aparentemente mais perfeita ditadura”, disse, arrancando uma das várias salvas de palmas com que foi brindado na sala. Mesmo sendo de direita, como fez questão de sublinhar: “Trata-se de um desafio transversal que tem de ser assumido como nacional”.