Mélenchon recorre a holograma para fazer campanha em sete lugares ao mesmo tempo

Candidato da esquerda à Presidência francesa voltou a fazer uso da tecnologia para transformar um comício em vários.

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Reuters/ROBERT PRATTA

Jean-Luc Mélenchon conseguiu discursar em várias cidades francesas, este domingo, numa acção de campanha feita a partir de Dijon e que chegou a Clermont-Ferrand, Grenoble, Montpellier, Nancy, Nantes e Le Port em simultâneo. O candidato da esquerda à Presidência francesa não esteve presente em cada um destes sete locais, mas graças ao uso da tecnologia voltou a rentabilizar uma mesma data para uma intervenção múltipla.

A imagem de Mélenchon foi projectada com recurso a hologramas aos apoiantes de cada cidade, numa transmissão via satélite do discurso que estava de facto a acontecer em Dijon. "Em cada um dos discursos com recurso a hologramas, vamos ter mais apoiantes a assistirem aos nossos comícios do que os restantes candidatos", disse o porta-voz da campanha eleitoral, Alexis Corbière. "Temos dez vezes mais apoiantes nos comícios e nas nossas páginas da Internet do que os nossos adversários."

Mélenchon é um dos candidatos com maior presença nas redes sociais, sendo que o seu canal de YouTube tem aproximadamente 288 mil subscritores, a sua página no Facebook conta com 887 mil fãs e a conta no Twitter tem 1,1 mil seguidores. Esse apoio tem tido respaldo nas sondagens, que dão ao candidato apoiado pelos comunistas a possibilidade de disputar a segunda volta das presidenciais, a 7 de Maio.

Não é a primeira vez que Jean-Luc Mélenchon recorre a hologramas. No primeiro comício da campanha, o candidato surgiu pela primeira vez em duas cidades em simultâneo, na altura em Lyon perante 120 mil pessoas e em Paris perante seis mil (ver vídeo). Esta tecnologia permite-lhe chegar a mais apoiantes ao mesmo tempo, sem necessidade de se deslocarem aos locais onde os comícios estão a ser realizados.

De acordo com a equipa do candidato, a transmissão em tempo real (ou quase: são apenas dois segundos de atraso) custou cerca de 30 mil euros. Em 2014, o então candidato à Presidência da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, também recorreu a uma tecnologia idêntica. Na Índia, Narendra Modi venceu a oposição com uma campanha que incluiu discursos transmitidos com recurso hologramas por todo o país. 

Jean-Luc Mélenchon é o mais velho dos candidatos na corrida à presidência de França, tendo concorrido pela primeira vez em 2012 — ficou-se pela primeira volta com 11% dos votos.