Julgamento à porta fechada de médico acusado de filmar pacientes nuas

Ministério Público afirma que médico filmava as suas pacientes nuas durante consultas de rotina

Fábio Teixeira/Arquivo
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Fábio Teixeira/Arquivo

O Tribunal de Santa Maria da Feira iniciou nesta terça-feira o julgamento à porta fechada de um médico de família, de 64 anos, suspeito de filmar as suas pacientes nuas durante consultas de rotina.

Na primeira sessão de julgamento, que decorreu à porta fechada por exclusão de publicidade, o arguido optou por se remeter ao silêncio, disse uma fonte judicial à Lusa.

O médico, que se encontra impedido de exercer a actividade, está acusado da prática de cinco crimes de devassa da vida privada, em concurso aparente com outros de gravação ilícita e um de pornografia de menores.

Os acontecimentos remontam a 2014 e 2015, nas instalações do Centro de Saúde de São Roque, em Oliveira de Azeméis, onde o arguido trabalhava. As vítimas foram raparigas com idades compreendidas entre os 11 e os 18 anos.

Na acusação, o Ministério Público (MP) afirma que o arguido filmava as pacientes com um telemóvel que colocava em cima da sua secretária, dentro de um estojo transparente. O médico iniciava a consulta, solicitando às pacientes que subissem as camisas até à parte de cima do soutien, iniciando a auscultação do peito e costas.

"Seguidamente, ele próprio desapertava o soutien das jovens expondo os respectivos seios, prosseguindo as manobras de auscultação, sempre em posições que permitissem o registo das imagens pela câmara do telemóvel", refere o MP.

De acordo com a investigação feita pelo MP, o arguido descarregava os vídeos para computadores que tinha em sua casa e outros dispositivos de armazenamento de dados. Numa busca domiciliária, foram encontrados na casa do arguido, em vários computadores e múltiplos dispositivos de armazenamento, imagens e filmes de carácter pornográfico, alguns deles relativos a jovens adolescentes do sexo feminino.