CDS: “O défice não é tudo, não vale tudo”

Assunção Cristas justifica projectos de rejeição do Programa de Estabilidade com a necessidade de alcançar um “crescimento económico sustentado” e não com “austeridade”.

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Nuno Ferreira Santos/Arquivo

A líder do CDS-PP levou ao Presidente da República os textos dos projectos de resolução contra o Programa de Estabilidade e o Plano Nacional de Reformas e as suas justificações. Afinal, “o défice não é tudo, não vale tudo” para atingir esse objectivo, disse à saída da reunião, criticando o facto de as metas do Tratado Orçamental estarem a ser atingidas “à conta de austeridade”.

A antiga ministra do Governo PSD/CDS-PP que aplicou o plano de austeridade acordado com a troika de credores internacionais aponta agora o dedo ao Governo PS para dizer que o défice tem sido alcançado através de “impostos indirectos e do corte brutal no investimento público que penaliza a qualidade dos serviços públicos”. “A austeridade é alcançada com cativações cegas” que têm prejudicado, afirma, os serviços de educação, saúde e transportes.

Na opinião dos centristas, essas metas têm antes de ser alcançadas com “o crescimento sustentado da economia portuguesa”. E é para isso – “para sair deste marasmo” – que o CDS apresentou “cerca de uma centena de propostas alternativas” ao Plano Nacional de Reformas.

Mas não só para isso. Os projectos têm um objectivo político claro que Assunção Cristas reconheceu: “A política é importante para saber quem está com quem. Os partidos das esquerdas não podem fingir uns dias que são Governo e outros que são oposição, eles são os responsáveis por esta governação, com o que tem de bom e com o que tem de mau”, afirmou.

A líder centrista, acompanhada do líder da bancada, Nuno Magalhães, e do vice-presidente Pedro Mota Soares, chegou a Belém já sabendo que as esquerdas votarão contra os seus projectos, mas não revelou se já conhecia a intenção de voto do PSD. Mas afirmou “não ter preocupação” com a possibilidade de o CDS ficar isolado no Parlamento.

Assunção Cristas revelou também ter transmitido a Marcelo Rebelo de Sousa o “agrado” com a forma como o Presidente “tem trazido a questão dos sem abrigo para a agenda pública nacional”. E aproveitou para vestir o fato de candidata à Câmara Municipal de Lisboa, fazendo uma promessa: “Comigo não haverá uma pessoa sem abrigo em Lisboa”.

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