Crónica

Siluro e cherne

Nos restaurantes e nas praças grassa um peixe igualmente destrutivo e assustador: a perca do Nilo.

Se pensa que gosta de peixe leia aqui no PÚBLICO a reportagem urgente de Luciano Alvarez sobre os siluros gigantes que estão a comer vivo o rio Tejo. E pense segunda vez. Quantos são os peixes que gosta realmente de comer? 

Pensava eu já ter esquecido os pesadelos causados pelo episódio do Planet Earth 2 filmado em Albi na França, em que se vêem, nas margens do rio Tarn, os mesmos siluros a caçar e a comer pombos.

Nos restaurantes e nas praças grassa um peixe igualmente destrutivo e assustador: a perca do Nilo. Apesar de ser um peixe de rio, criado em condições deploráveis, é bastante mais caro do que muitos peixes selvagens do mar. Há, por exemplo, a sarda, o sarrajão, a solha, a safia e o safio, mencionando apenas os mais apetitosos com nomes a começar por S.

Porquê? Não faço ideia. Não compreendo como é que um país com tanto peixe do mar relativamente barato gosta de comer um peixe de rio que sai tão caro. Será preguiça? Será ignorância?

Ou será para fazer falcatruas? Uma das utilidades da perca do Nilo é passar por cherne. Então no meio de molhos que tudo tapam...

Começou agora a época do magnífico cherne (Polyprion americanus). É um peixe muito caro mas muito bom, digno de comer cozido ou grelhado. Ganha-se muito em decorar o aspecto do cherne (a começar pela cabecinha característica) para saber reconhecê-lo. É a única maneira de termos a certeza de não sermos enganados. Isto é, até o provarmos. Nesta altura do ano nenhum outro peixe se aproxima de tal delícia.