Claque do Benfica entoa cântico polémico sobre adepto que morreu com very-light

Adeptos benfiquistas simularam o som do projéctil que matou um adepto do Sporting em 1996 enquanto cantavam: “Foi no Jamor que o lagarto ardeu”.

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Jogadores em campo durante a 5.ª jornada da fase final do Campeonato Nacional de Andebol, no Pavilhão da Luz LUSA/MÁRIO CRUZ
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Neste sábado à noite, durante a partida entre Benfica e Sporting para o campeonato nacional de andebol — que terminou empatada no Pavilhão da Luz —, alguns adeptos benfiquistas assobiaram para imitar o som de um very-light. Enquanto o faziam, entoavam o cântico “Foi no Jamor que o lagarto ardeu, na final da Taça o very-light é que o fodeu”. O cântico e os assobios faziam referência ao projéctil que matou um adepto do Sporting em 1996, durante a final da Taça de Portugal entre o Sporting e o Benfica.

O projéctil tinha sido disparado durante a partida no Jamor, a 18 de Maio de 1996, por um elemento da claque benfiquista No Name Boys. O disparo acabou por provocar a morte do adepto sportinguista Rui Mendes, de 36 anos.

Esta não é a primeira vez que são simulados assobios idênticos ao som de um very-light. Ainda durante o sábado, assobios deste género fizeram-se igualmente ouvir no Pavilhão da Luz, durante uma partida de futsal entre os dois clubes. O director de comunicação do Sporting denunciou a situação nas redes sociais e apelou à intervenção do Ministério Público. “Aquilo a que hoje se assistiu é mais um acto inqualificável que devia envergonhar e muito a instituição em causa. Mais ainda porque se repete ano após ano”, escreveu.

Já em 2015, a claque No Name Boys erguia, durante um jogo de futsal, uma faixa com a inscrição “Very Light 1996”. Na altura, a direcção dos “leões” pediu que os adeptos e o clube fossem punidos; o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, falou seis dias depois de os cânticos terem sido entoados, considerando a situação “lamentável e injustificável”.

À data, os No Name Boys afirmaram que a tarja era uma resposta a uma t-shirt criada anteriormente pela Juventude Leonina, que aludia, por sua vez, à morte de um membro da claque benfiquista num acidente de automóvel em 1994. “Vão demorar muito a chegar? Auto-estrada 1994. Uma viagem inesquecível! Bateu forte!”, lia-se na referida t-shirt, na qual surgia estampada a fotografia do adepto. 

Ainda em relação a cânticos polémicos, os Super Dragões entoaram nesta terça-feira, num jogo de andebol entre o FC Porto e o Benfica: “Quem me dera que o avião da Chapecoense fosse do Benfica”. A claque portista aludia ao acidente aéreo na Colômbia que vitimou grande parte da comitiva que seguia a bordo, caso que motivou repúdio geral, inlcuindo da direcção do próprio FC Porto.