Novo Banco: saídas de mais 268 trabalhadores até Junho

O Novo Banco já cumpriu a meta de redução do quadro de pessoal com a saída de mais de 1500 trabalhadores. Este era o objectivo negociado com Bruxelas, no quadro do plano de reestruturação.

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António Ramalho apresentou hoje resultados de 2016 do Novo Banco. Rui Gaudêncio

Em 2016 deixaram a instituição 1312 pessoas, mais 312 do que o esperado. E este ano estão inscritos 268 para sair até Junho, por reformas antecipadas e rescisões amigáveis.

António Ramalho, que considera ter-se fechado um ciclo da vida do banco, com a "venda" ao Lone Star, recusou confirmar se vai ficar à frente da instituição, remetendo o tema para o fundo norte americano.

Em conferência de imprensa, o presidente executivo do Novo Banco afirmou que o Conselho de Administração tem "fundadas expectativas" que as contas da instituição relativamente a 2016, que hoje apresentou, não terão "qualquer qualificação", reservas.

Estas contas encerram "um período muito significativo da vida" do Novo Banco, disse António Ramalho na conferência de imprensa para apresentação dos resultados do banco de 2016.

"Estas contas são, sobretudo, as primeiras do Novo Banco que iremos apresentar com toda a segurança que não teremos qualquer reserva por partes dos auditores", afirmou o responsável.

O Novo Banco anunciou hoje que teve prejuízos de 788,3 milhões de euros em 2016, o que compara com o resultado consolidado negativo de 929,5 milhões de euros em 2015.

O banco que resultou da resolução do Banco Espírito Santo (BES) justificou os resultados com o “elevado nível de provisionamento” feito no ano passado, que atingiu os 1.374,7 milhões de euros.

A maior parte das provisões foram para crédito problemático, no valor de 672,6 milhões de euros.

Já o resultado operacional do grupo Novo Banco foi positivo em 386,6 milhões de euros, acima dos 125 milhões de euros de 2015, sublinhou a instituição, que considera que este resultado é “demonstrativo da [sua] capacidade de geração de receitas”.

A venda do Novo Banco ao fundo de investimento norte-americano Lone Star foi anunciada em 31 de Março pelo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, em conferência de imprensa, tendo sido explicada horas mais tarde pelo primeiro-ministro, António Costa, e pelo ministro das Finanças, Mário Centeno.

No mesmo dia foi assinado o contrato de promessa de compra e venda entre o Fundo de Resolução e a Lone Star, para a alienação de 75% do Novo Banco, mantendo o Fundo de Resolução 25%.

O grupo norte-americano vai realizar injecções de capital no montante total de mil milhões de euros, dos quais 750 milhões de euros logo no fecho da operação e 250 milhões de euros até 2020.