Novo Banco reduz prejuízos para 788,3 milhões em 2016

A instituição financeira vendida ao Lone Star registou um prejuízo de 788,3 milhões de euros em 2016, um resultado negativo que fica abaixo dos 929,5 milhões de euros apresentados há um ano.

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António Ramalho prepara-se para apresentar contas de 2016. Rui Gaudêncio/PÚBLICO

"Os sinais de recuperação da performance operacional são visíveis no resultado apurado que, embora negativo em 788,3 milhões, é inferior ao prejuízo de 929,5 milhões de euros registado em 2015", sublinha o Novo Banco em comunicado, enviado ao mercado. 

O banco liderado por António Ramalho destaca o desempenho operacional do banco, com destaque para o resultado obtido no produto bancário, nomeadamente na componente financeira da actividade. Também o corte de custos ajudou o banco a minimizar as perdas. 

Assim, pela positiva o banco destaca "o esforço de consolidação operacional prosseguido, tendo o resultado operacional atingido 386,6 milhões de euros (+209%) determinado pela melhoria do produto bancário e pela redução dos custos operativos". 

Este desempenho operacional - que foi atenuado pela prestação de serviços a clientes (-22,1%), dada a menor carga das comissões nos resultados - foi, no entanto, insuficiente para contrabalançar o elevado montante canalizado para imparidades, a principal razão para o resultado negativo no final do exercício de 2016. 

"O montante afecto a provisões, no valor de 1374,7 milhões de euros, representa um acréscimo de 316,8 milhões em relação ao ano anterior. As imparidades incluem 672,6 milhões para crédito, 315,9 milhões para títulos e 98,2 milhões para custos de reestruturação", descreve o banco.

Neste campo, o comunicado esclarece ainda que "no que se refere ao side bank, ou seja, os activos não estratégicos, o seu valor era de 8737 milhões de euros, líquido de provisões, em 31 de Dezembro de 2016, que comparam com os 10.843 milhões a 31 de Dezembro de 2015". 

Depósitos e crédito a cair

Na actividade comercial do Novo Banco verificaram-se o agravamento de duas tendências: menos crédito e menos depósitos. No primeiro caso, o banco explica que "em linha com a prossecução do processo de desalavancagem do balanço, especialmente na carteira internacional, o crédito a clientes registou, no exercício de 2016, uma quebra de 3,7 mil milhões (parte importante relacionada com a transferência para activos em descontinuação do BESV e do NB Ásia)".

No que diz respeito aos depósitos, o comunicado esclarece que "apesar da ligeira recuperação no quarto trimestre, o valor de 25,6 mil milhões de euros registado em 31 de Dezembro de 2016 representa uma redução de 1,8 mil milhões face ao período homólogo do ano anterior (evolução que não foi alheia à retransmissão de obrigações para o BES)". 

Menos balcões e trabalhadores

A presença do Novo Banco junto dos clientes continua, por outro lado, a minguar, também devido ao cumprimento das metas definidas no plano de reestruturação em curso que, segundo a instituição que sucedeu ao Banco Espírito Santo (BES), foram "integralmente cumpridas". Assim, face a Novembro de 2015 (data dos compromissos assumidos com Bruxelas) "o número de colaboradores reduziu-se em 1312, face ao objectivo estabelecido de redução de 1000 a 31 de Dezembro de 2016". Por outro lado, "a rede de distribuição evoluiu para 537 balcões (objectivo: 550 a 31 de Dezembro de 2016) apresentando uma redução de 116 unidades". Neste contexto, "a redução dos custos operativos ultrapassou a meta estabelecida (-150 milhões de euros a 31 de Dezembro de 2016)".

Solidez em linha com sector

Nos resultados de 2016, o banco destaca ainda que a sua solidez está em linha com os pares nacionais e cumpre as metas definidas com as autoridades de supervisão. 

“O rácio de capital regulamentar Common Equity Tier 1 (CET1) estimado para 31 de Dezembro de 2016 fixou-se em 12,0% que compara com 13,5% em Dezembro de 2015, encontrando-se em linha com os principais bancos portugueses”, explica o documento.