Rino Lupo, à frente do seu tempo

Luís de Pina, na sua História do Cinema Português, descreve Lupo como um cineasta que “pintava com a luz”.

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A caixa de DVD com Mulheres da Beira e Os Lobos

Rino Lupo (1884-1936) pode não ser um nome “de cabeceira” no cinema português como Manoel de Oliveira, António Lopes Ribeiro ou Leitão de Barros o foram. Aliás, o cineasta italiano, que rodou regularmente em Portugal e fundou escolas de representação entre nós na década de 1920, não era particularmente bem visto pelos seus colegas e contemporâneos portugueses.

Mas, nos textos que escreveu sobre Mulheres da Beira Os Lobos, João Bénard da Costa considera que é precisamente nessa dimensão “não-alinhada” com a produção da época que os filmes ganham a sua importância histórica. Os historiadores apontam que Lupo, que iniciara carreira em Paris como actor no início do século XX e onde dirigiu os seus primeiros filmes, não era um cineasta “rigoroso”, deixando-se levar pelo improviso e fugindo sempre que possível ao guião planificado.

Se é essa personalidade que os estudiosos sublinham como a sua marca pessoal de cineasta, foi também essa “rebeldia” que levou ao seu afastamento da produtora portuense Invicta Film apesar do êxito comercial de Mulheres da Beira, baseado num conto de Abel Botelho. 

Os Lobos, adaptação de uma peça teatral de Francisco Lage e João Correia de Oliveira que ultrapassou largamente os prazos e orçamentos de rodagem, não encontrou sucesso e, “queimado” junto dos financiadores portugueses, Rino Lupo partiu para Espanha.

Regressando a Portugal em 1926, assinou mais alguns filmes, entre os quais Fátima Milagrosa (1927) e José do Telhado (1928), antes de partir definitivamente de Portugal e continuar o seu périplo europeu.

Luís de Pina, na sua História do Cinema Português, descreve Lupo como um cineasta que “pintava com a luz”, e para o qual a mentalidade portuguesa não estava ainda preparada; Bénard da Costa diz de Mulheres da Beira ser a “primeira obra maior do cinema português” e Félix Ribeiro, fundador da Cinemateca, considerava Os Lobos “a mais bela jóia que a cinematografia portuguesa do período mudo tem para mostrar”.