Bloquistas querem colecção de arte do BES nas mãos do Estado

Os deputados do BE querem uma avaliação da colecção de arte que era do Banco Espírito Santo, com várias telas de Josefa de Óbidos, e mantê-la no domínio público.

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DANIEL ROCHA

Em dia de debate sobre o Novo Banco na Assembleia da República, os bloquistas entregam uma recomendação ao Governo para que mantenha nas mãos do Estado a colecção de arte do antigo Banco Espírito Santo. O BE quer que a colecção, que conta com inúmeras telas de Josefa de Óbidos ou uma colecção de fotografia contemporânea premiada, fique "a salvo de uma eventual alienação".

Os bloquistas entregaram nesta quarta-feira um projecto de resolução em que defendem que "a passagem da sua titularidade para o Estado, dado que o Novo Banco é actualmente detido pelo Fundo de Resolução, fundo esse que se encontra integrado no sector público, seria garantia necessária para impedir que este acervo caia em mãos privadas ou nas mãos de capitais estrangeiros". Ou seja, que, ao contrário do processo moroso que aconteceu com o ex-BPN e a colecção de Mirós, o Governo assegure "a preservação em solo e fruição nacionais dos bens culturais que integram o património do Novo Banco".

No documento, os deputados do BE querem uma avaliação e classificação do espólio que integra várias obras de "mobiliário e pintura", com "destaque para um número significativo de telas de Josefa de Óbidos, pintora barroca do século XVII, que foram recentemente expostas no Museu Nacional de Arte Antiga", como também "outras tantas obras de diferentes períodos artísticos e proveniências e com elevado interesse cultural".

Além destas obras, o antigo BES, agora património do Novo Banco, tem uma vasta colecção de fotografia contemporânea, uma colecção de numismática e o espólio da Biblioteca de Estudos Humanísticos de José Vitorino de Pina Martins.

Este não será o tema central do debate desta tarde, mas os bloquistas devem levar o assunto a plenário.