Crítica

Suspiria vem dos anos 70 e vive ainda em toda a sua multicolorida loucura

Suspiria vem dos anos 70 e vive, ainda, em toda a sua multicolorida loucura, tão delirante como uma apropriação para adultos dos contos de fadas clássicos ou como, diria o outro, “Walt Disney com sangue”.

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Bailado tão harmónico como demencial entre a morte e o sexo, a beleza e a demência, o medo e o sonho: Suspiria
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Suspiria, vindo daqueles anos 70 que foram a época mais frutífera de Dario Argento (Profondo Rosso e Inferno circunscrevem Suspiria, no que é uma sequência… infernal), ainda é possivelmente a expressão maior do cinema do italiano, onde o terror, como “género”, é acima de tudo assunto de onirismo e de variação sobre os códigos de acesso ao inconsciente, tudo sintetizado num registo que ataca de frente a sua ambição “operática” (que se vê ainda na importância da música como construção sonora, aliás aproximável ao que Carpenter também fez, e na ambientação no universo do espectáculo, como uma teatralidade jogada através de inúmeros espelhos reflectores e deformadores).

Tem tanto a ver com isso, na linha da tradição do giallo e dos seus precursores como Mario Bava, como com a sombra de Hitchcock — tudo e todos se encontram neste bailado tão harmónico como demencial entre a morte e o sexo, a beleza e a demência, o medo e o sonho.

O “primo americano” de Argento, Brian de Palma, andava por esta altura (Carrie, ou sobretudo o Fantasma do Paraíso) a pisar territórios aproximáveis; mas se esses filmes de de Palma, quando muito, “sobrevivem” (ou “sobrevive-se”, a eles e ao seu excesso maneirento), Suspiria vive, ainda, em toda a sua multicolorida loucura, tão delirante como uma apropriação para adultos dos contos de fadas clássicos ou como, diria o outro, “Walt Disney com sangue”.