Governo quer que 50 mil portugueses recebam formação básica digital

“Literacia digital é o bê-a-bá do futuro” disse António Costa na apresentação da Iniciativa Nacional Competências Digitais que prevê ainda que 18 mil quadros superiores tenham acesso a programas de requalificação.

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António Costa, na cerimónia de apresentação da Iniciativa Nacional Competências Digitais LUSA/FILIPA BERNARDO

Nos próximos três anos, o Governo quer que 50 mil pessoas recebam formação básica em literacia digital. Pretende abranger tanto desempregados como empregados activos que possam beneficiar de maiores competências nesta área. A Iniciativa Nacional Competências Digitais — Portugal INCoDe.2030, assim se chama — foi apresentada nesta segunda-feira e prevê ainda a reconversão profissional de quadros com formação superior em áreas de baixa empregabilidade e em situação de desemprego. A meta é chegar aos 18 mil formandos até 2020.

Num país “que tem 800 mil desempregados e onde faltam 15 mil programadores, há uma grande oportunidade”, disse o primeiro-ministro, António Costa. “É evidente que muitas das pessoas desempregadas não querem ou não podem vir a ser programadores, mas há 15 mil que seguramente podem vir a ser”, acrescentou.

A literacia digital “vai ser o bê-a-bá do futuro”, sublinhou ainda o primeiro-ministro. E, por isso, outra meta do programa é que, até 2030, 90% dos portugueses utilizem com frequência a Internet, inclusive para interagir com os serviços públicos. Actualmente seis em cada dez já a usam com regularidade, segundo os dados apresentados pelo Executivo.

“A democracia só se fortalece com cidadãos activos e preparados, cada vez mais informados, com cada vez melhores informáticos, e com cada vez maior capacidade de intervir no espaço digital” disse o primeiro-ministro durante a apresentação da iniciativa no Teatro Thalia, em Lisboa. Esta destina-se a todos os cidadãos, empregados e desempregados, do pré-escolar à reforma. “Uma coisa é certa: um nível de competências digital mínimo todos vão ter de ter.”

O documento que sintetiza a estratégia e as metas do Governo é claro: “Portugal, embora se encontre na mediana europeia em matéria de competências digitais precisa de reforçar as competências básicas em TIC, sobretudo em termos do capital humano e dos níveis de utilização da Internet, evitando que se cristalizem num limiar preocupante.” O país ainda está aquém da média europeia quando se avalia a percentagem da população com competências para navegar na Internet (ver infografia).

26% nunca usaram

Dados do ano passado revelam que cerca de um quarto dos portugueses (26%) nunca utilizou a Internet. É um valor 12 pontos percentuais acima da média da União Europeia (UE). A meta agora definida é esta: reduzir o valor até aos 5% até 2030 e permitir que 80% dos portugueses tenham competência digitais básicas — por exemplo, navegar de forma segura na Internet e saber distinguir a informação de qualidade online.

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O programa foca-se em cinco eixos: inclusão, educação, qualificação, especialização e investigação. Ou seja, ao longo da próxima década o país deve generalizar o acesso às tecnologias digitais a toda a população, investir na oferta formativa desde o pré-escolar até ao ensino universitário e politécnico, garantir condições para a produção e investigação no conhecimento digital, e capacitar profissionalmente a população activa com conhecimentos necessários à integração num mercado de trabalho que depende fortemente de competências digitais.

Comparado com a média da UE, Portugal tem um número superior de diplomados entre os 20 e os 29 anos em áreas como Ciência, Tecnologia, Matemática e Engenharia (20,4 em cada mil habitantes, face aos 18,7 da UE). Ainda assim, a estratégia do Governo anuncia um reforço do investimento. “Portugal deve reforçar a sua participação na produção científica em todas as áreas do conhecimento, mas muito especialmente em áreas que envolvam competências digitais avançadas – tal como o manuseamento e valorização de grandes quantidades de dados (big data), a biologia computacional e a bioinformática”, lê-se na síntese da Iniciativa.

Até 2030, o investimento em Investigação e Desenvolvimento deverá passar de 1,28% do PIB para 2,6%, acrescenta-se.

O novo programa é um desafio transversal a todas as áreas e faixas etárias, sublinhou Costa. “Não podemos esperar que os meninos que estão hoje no pré-escolar entrem no mercado de trabalho. Não podemos esperar 20 anos para resolver os nossos problemas”, acentuou o primeiro-ministro.