Formar jogadores para sobreviverem ao fim da carreira

Sindicato assina nesta segunda-feira um protocolo enquadrado no Plano Nacional de Formação Financeira, para acautelar futuro dos atletas.

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NFS - NUNO FERREIRA SANTOS

É uma questão sensível e que se levanta a todos os desportistas profissionais: depois de colocarem um ponto final da carreira, que futuro terão à sua espera? É a pensar no pós-futebol, mas também nas estratégias de gestão do dia-a-dia, que o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) assina nesta segunda-feira, com o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, um protocolo de cooperação que se debruça sobre a formação financeira dos atletas.

Não há, em Portugal, um estudo que retrate a realidade que bate à porta no final da vida desportiva, mas são conhecidos casos de ex-jogadores de renome, como Fernando Mendes, António Veloso ou Jorge Cadete, que viram desabar a situação financeira no período pós-futebol. É para prevenir desfechos como estes que o SJPF (de quem o PÚBLICO não obteve uma resposta em tempo útil) procura sensibilizar a classe, através desta iniciativa enquadrada no âmbito do Plano Nacional de Formação Financeira.

Nesta “câmara” de preparação e sensibilização contam-se recomendações tão simples como a necessidade de realizar um planeamento do orçamento familiar e de preparar um plano de reforma ou alertas para o risco do sobre-endividamento e de situações de fraude. Acima de tudo, importa difundir conhecimentos sobre conceitos financeiros para garantir uma melhor compreensão da informação e, consequentemente, uma melhor tomada de decisão.

Este tópico, o do acautelamento do futuro no futebol, tem merecido maior atenção nos últimos meses, também impulsionado por um projecto levado a cabo por Tarantini, médio do Rio Ave. Através da compilação de dados e da realização de palestras, o jogador português (que vai reunindo o trabalho no site tarantini.pt) tem alertado para a necessidade de assegurar uma retaguarda pós-carreira profissional. Da formação académica a uma gestão financeira responsável, são vários os conselhos que visam evitar contextos de fragilidade pessoal e familiar, que em muitos casos degeneram em depressões profundas.

As realidades dos países variam, mas os dados referentes à Premier League, o mais competitivo campeonato da Europa (e um dos mais bem pagos do mundo), são suficientes para se perceber o alcance do fenómeno: estima-se que 60% dos futebolistas do principal escalão britânico passem por dificuldades financeiras logo nos cinco anos que se seguem ao final da carreira. Tarantini garante que, entre os vários colegas de profissão com quem contacta, também sente esse risco: “É incrível a despreocupação dos jovens pelo futuro”.