Marcelo: "Brexit" representa "o momento para um novo começo"

Presidente preferiu realçar os aspectos positivos que unem a UE, considerando que factores críticos são "coisa pouca" comparados com isso.

A presidente chilena e Marcelo Rebelo de Sousa juntos em Évora
Foto
A presidente chilena e Marcelo Rebelo de Sousa juntos em Évora LUSA/NUNO VEIGA

O Presidente da República defendeu esta quinta-feira que "é o momento" para "um novo começo" da União Europeia e que os problemas e divergências existentes "são pouca coisa" em comparação com os aspecos positivos.

"Sente-se na União Europeia que é o momento para um novo começo", disse o chefe de Estado português, em declarações aos jornalistas após um encontro com a presidente do Chile, Michelle Bachelet, no Paço de São Miguel, em Évora, no âmbito da visita de Estado da sua homóloga.

Marcelo admitiu que "há factores críticos, problemas no relacionamento entre os povos e os políticos e de incompreensão sobre algumas situações sociais, divisões em matérias económicas, financeiras, de refugiados e de imigrantes", mas afirmou que "tudo isso comparado com o tem de positivo é pouca coisa".

"A União Europeia deu à Europa paz, estabilidade económica, social e política, respeito pelos direitos humanos, criou o espaço onde há os melhores indicadores de desenvolvimento humano do mundo, para onde querem ir viver povos vindos de todos os continentes e, por isso, tem uma responsabilidade interna e mundial."

O Presidente da República insistiu que "este é o momento de [a UE] recomeçar a sua caminhada", através do "reforço da sua unidade, coesão, solidariedade e abertura ao mundo, o respeito pelos direitos humanos, a luta pela paz e a rejeição do protecionismo comercial".

Chile quer apoio de Portugal para acordo com UE

Nas declarações aos jornalistas, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, afirmou ser "extremamente importante" para o seu país "o apoio de Portugal ao processo de modernização do acordo de associação" com a UE, esperando que as negociações arranquem no primeiro semestre deste ano.

"Queremos aprofundar a nossa colaboração em matérias políticas, económicas e de cooperação para o desenvolvimento, incluindo novos temas como a inovação, ciência e tecnologia, comércio e segurança", disse, indicando que a União Europeia é o terceiro parceiro comercial do Chile, atrás da China e EUA.

Em resposta, o chefe de Estado português afirmou que "Portugal tem apoiado a aceleração do processo de celebração" do acordo de associação entre o Chile e a UE."A União Europeia é um polo fundamental para o equilíbrio mundial e, por isso, compreende-se a importância de acordos como o acordo de associação entre o Chile e União Europeia."

Segundo o Presidente da República, trata-se "de associar um país importante para o mundo a uma área que é mais do que uma área comercial, económica e financeira, é uma área da civilização e da cultura e uma área geopolítica fundamental para o equilíbrio do mundo".

Michelle Bachelet realçou que existe “um interesse crescente” da parte de empresas portuguesas em investir no seu país e que, “certamente, empresas chilenas” querem investir em Portugal. “Temos observado um interesse crescente dos portugueses em investir no nosso país, em setores tão diversos como energia, serviços e agroindústria”, reconheceu a presidente chilena.

Ao mesmo tempo, acrescentou, ”certamente, há empresas chilenas dispostas a investir em Portugal, não apenas no setor dos serviços, mas também na agroindústria”. “Isso faz com que o futuro do intercâmbio entre ambos os países seja promissor”, afiançou.

No seu discurso, em que fez questão de falar em português, pedindo desculpa pelo seu “portunhol”, no final, Michelle Bachelet afirmou que o Chile e Portugal enfrentam “desafios comuns”, nos âmbitos “político, económico, cultural e de cooperação”.

Mas os dois países “partilham visões em distintas áreas, como democracia, direitos humanos, liberalização comercial, proteção do meio ambiente e desenvolvimento sustentável”, temas que vão marcar a agenda da sua visita a Portugal.