Crónica

Ofensa com ofensa

Mal estão os países do Sul da Europa quando não aguentam uma boca de um holandês para quem gastar dinheiro em "Schnaps e mulheres" é o cúmulo da irresponsabilidade. Se ele associa Schnaps e mulheres, o problema, profundo, é dele.

Dijsselbloem – até eu já decorei o nome da besta – é obviamente um machista, um puritano e um queixinhas. Se calhar é um bocadinho xenofóbo e arrogante também. Mas agora que já todos o insultámos com justiça e alacridade não podemos mudar de assunto?

Não. Tem outros defeitos graves. Distelbloke também é amigo das verdades de La Palice. Pior ainda, julga que tem piada. É trágico, mas é verdade: a boca dele representa uma tentativa de humor, aliado a um naco de bom senso tão corriqueiro que já nem sequer serve como indutor do sono.

Agora o grupo parlamentar do PPE – esse bando de estadistas transcendentes – quer que Djieselbloem (tradução à letra: floreado de gasóleo) peça desculpa e se demita. Não basta pedir desculpa. Tem de se demitir também. E se não pedir desculpa? Que se demita também.

Tudo parece planeado para DJ Ejelboom não pedir desculpa a nós portugueses e aos nossos irmãos italianos, espanhóis e gregos, unidos neste momento de ofensa colectiva. Somos dezenas de milhões de morenos de cabeça pesada, fitando os caroços de azeitonas em que tropeçamos diariamente, esperando pelo "I'm sorry" a que temos direito.

Didjelbluff é obviamente um bully e um palerma. Queremos mesmo encorajá-lo, dando-lhe importância? Ups, já é tarde...