Opinião

Cartas ao director

Os direitos dos leitores

 Realizou-se, há dias, mais um encontro dos leitores que escrevem cartas aos jornais. Eu sou um deles, neste jornal, mas estou cansado e desanimado. De uma maneira geral as minhas cartas não são publicadas! Penso saber o motivo – não falam da espuma dos dias, da política de casos e de mentiras. Tenho pena que os leitores não possam dar opinião sobre outros assuntos que, não estando na agenda mediática, sejam para si motivo de reflexão e debate. Hoje [ontem], por exemplo, li a ultima participação da Alexandra Lucas Coelho e não posso deixar de lamentar que seja mais uma belíssima jornalista do PÚBLICO que foi dispensada. O PÚBLICO é dos leitores que pertencem, na sua maioria, às camadas mais letradas e cultas da sociedade e que, por isso mesmo, é exigente para com as suas sucessivas direcções.

Ora estávamos habituados à qualidade e imparcialidade politica e a uma visão progressista e esclarecida da sociedade. Não queremos um PÚBLICO tablóide, nem reaccionário, e por isso queremos continuar a escrever cartas e a denunciar o que nos parece que está mal na sociedade em geral e na linha editorial do PÚBLICO em particular. Tenho quase a certeza que esta será, infelizmente, mais uma carta que não será publicada pelo “meu” (nosso) jornal…

 José Carlos Palha, Vila Nova de Gaia

A democracia paga pouco

O PÚBLICO de hoje [ontem] dá à estampa uma carta em que o senhor António Cândido Miguéis aproveita para anotar as diferenças entre o Correio da Manhã e o PÚBLICO e discordar da tese do jornalista do Correio da Manhã, senhor Alexandre Ganhão, segundo a qual "a democracia paga pouco" e os deputados são mal remunerados. Desde já afirmo a minha discordância com o jornalista e a concordância com o referido leitor, que aplaudo. Percebe-se que se trata de um leitor culto, atento e pensador.

 Apenas gostaria de lhe dar duas achegas. A primeira é que lamento que não seja apenas o senhor Alexandre Ganhão a pensar assim; também outro jornalista, o senhor Miguel Sousa Tavares defendeu, no Expresso de, salvo erro, 29 de Outubro de 2016, que os deputados não ganham demais e que só "levam para casa" ganham 2.500 euros liquidos . E deve haver mais bons homens a pensar assim!

O meu segundo comentário é lembrar que um homem muito bem informado (constitucionalista, ex-deputado, ex-secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares num Governo de Guterres e da Administração e da Justiça nos dois governos de Sócrates) disse publicamente e escreveu num livro recentemente publicado isto:  "Uma verdade incrível é esta: não são conhecidas as concretas remunerações de cada um dos deputados que elegemos. Não é só espinhoso calculá-las; é, na verdade, impossível".

Não percebo como é que os dois referidos jornalistas sabem aquilo que um homem com o curriculum de José Magalhães não sabe! É caso para dizer que sabem demais. Parabéns, senhor António Cândido Miguéis, por ter levantado a questão!

José Madureira, Porto