Violência atingiu uma média de 14 mulheres por dia em 2016

Relatório anual da APAV contabiliza ainda uma média de 19 agressões por semana contra idosos e 16 por semana contra homens. No caso das mulheres, que perfazem 82% das vítimas, dá uma média de 100 vítimas por semana.

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"Com a crise que nos últimos anos assolou o país, as instituições de apoio, como as casas abrigo para vítimas de violência doméstica, são mais demoradas nas respostas", diz responsável da APAV Enric Vives Rubio
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PAULO PIMENTA

As agressões a homens e aos idosos estão a ganhar mais expressão nas estatísticas, mas o retrato-tipo da vítima de crime ainda se escreve no feminino: 82% são mulheres, com uma idade média de 50 anos. Em 2016, conta o relatório anual da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), foram agredidas em média 14 mulheres por dia. Dá 100 mulheres por semana, 5226 no total daquele ano.

São números que, ainda assim, traduzem um ligeiríssimo decréscimo relativamente a 2015, ano em que 5291 mulheres foram vítimas de violência (101 por semana). A maior parte dos crimes de que são alvo são cometidos em contexto de violência doméstica.

“As situações que chegam à APAV são cada vez mais complexas e requerem um maior número de atendimentos. Com a crise que nos últimos anos assolou o país, as instituições de apoio, como as casas abrigo para vítimas de violência doméstica, são mais demoradas nas respostas e, por outro lado, as vítimas — normalmente uma mulher que tem um ou dois filhos — têm mais dificuldades em autonomizar-se do agressor e em sustentar-se sozinhas uma casa”, compara Elsa Beja, assessora técnica da direcção da APAV.

Torna-se assim mais fácil perceber o aumento de 8,1% no número de atendimentos registados pela APAV em 2016: 35.411 contra os 32.770 de 2014. Daqueles, foram identificadas 9347 vítimas directas de crimes (9612 em 2015), das quais 81,9% são do sexo feminino, maioritariamente agredidas na residência que partilham com o agressor.

O homicídio que no sábado se registou em Esmoriz, embora não fazendo parte destas estatísticas, enquadra-se neste retrato-tipo: uma mulher, de 51 anos, foi morta pelo marido que a feriu com uma faca nas costas e no abdómen. Só nos primeiros meses deste ano foram assassinadas pelo menos quatro mulheres, segundo as contas da UMAR — União de Mulheres Alternativa e Resposta que todos os anos publica um relatório sobre a situação.

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Aumentar

Além das 5226 mulheres vítimas de violência em 2016, aquela organização registou três agressões por dia a idosos, num total de 1009 vítimas (dá 19 por semana). No ano anterior, a APAV registara 977 pessoas idosas entre as vítimas, o que aponta para um ligeiro aumento. Quanto às crianças e jovens até aos 17 anos, há registo de uma média de duas agressões por dia, num total anual de 826 casos (16 por semana), contra os 1084 do ano anterior

Entre os crimes registados pela APAV — mais de 21 mil, 77% dos quais crimes de maus-tratos físicos e psíquicos em contexto de violência doméstica — contam-se 21 homicídios consumados e 28 na forma tentada.

Os homens que são vítimas de violência em casa têm vindo a aumentar, nota a APAV. “Não significa que este crime tenha aumentado, mas que a procura de ajuda sim, o que nos leva a poder afirmar que, entre os homens se vai perdendo o estigma associado a estas situações”, acrescentou Elsa Beja.

Além de 143 violações, a organização registou ainda, entre os atendimentos que fez, 142 casos de abuso sexual de menores e 73 casos de coacção sexual.

A APAV assinala ainda os 412 casos de assédio persistente (“stalking”), sendo que em 90% dos casos as vítimas foram mulheres, com uma média de idades a rondar os 40 anos, e 21 casos de subtracção de menor.