Inaugurar o passado

Passos de tanto inaugurar o passado tem o futuro cercado pelos amigos de então.

Passos Coelho não quer sair do casulo em que se coseu com o passado. Em cada visita vai inaugurando o passado. É para ali que está virado.

A forma para ser completamente eficaz passa por colocar ao cimo da lapela do lado esquerdo o emblema de Portugal, tal qual como se fora primeiro-ministro. Já nem Marco António o usa.

É um homem amargurado. Cristas fugiu do passado e renega-o. Passos refugia-se nos seus corredores das muralhas de silêncio hamletianas.

Está só. Portas saltou para os negócios, para fazer companhia a outros grandes negociantes da estripe de Jorge Coelho, Relvas (já tem quase um banco, vejam lá), Nogueira, Mexia, Domingues, Catroga, Gaspar, e tutti quanti.

Cristas deixou-o a falar sozinho e ele não entende o ruído que ela faz para tramar o partido amigo, como ela designa o PSD.

Passos está tão só que Teresa Sempre Leal se ajeitou para ir baixar Cristas em Lisboa. Já tinha invetivado o Tribunal Constitucional; que irá fazer agora contra Lisboa?

Medina, a esta hora, aguarda o passeio triunfal pela larga Avenida 24 de Julho.

Todos se vão e Passos fica sem homens, só com a Teresa.

E porque está tão só que no fórum dos Administradores das Empresas foi prometer o passado para salvar a banca: austeridade para os funcionários públicos e para os pensionistas.

É o que tem para dar e faz gala de afirmar que não cede à vontade dos mais fracos pagarem os desmandos dos mais fortes.

Passos diz que não quer o poder, apesar do emblema; generosamente proclama -  o PS que fique com ele. Mas a verdade é que sempre que se abre uma frincha para ver se vem o diabo, nem que seja com a diminuição da TSU ele a está erraticamente a voltar ao passado de poder.

Um homem com poder é outra coisa e Passos melhor que ninguém o sabe.

Ele olha para o partido amigo e vê-o a fugir com a Cristas bem no alto do combate por Lisboa.

Ele olha para o PSD e os que não queriam a Leal Teresa já a querem à última da hora.

Passos de tanto inaugurar o passado tem o futuro cercado pelos amigos de então. Já nem a Dra. Cristas lhe presta vassalagem.

Quando ele era primeiro-ministro lidava com o então irrevogável acrescentando-lhe a revogabilidade que com novo cargo sempre dá.

Agora que tem Passos a dar ao PSD? Teresa Sempre Leal para combater Cristas? E ao país? Austeridade para salvar a banca? É mesmo um passadista.