Antigo polícia recrutou jovens para o Daesh em Portugal

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O suspeito extraditado para Portugal chegou a viver em Aveiro Alaa Al-Marjani/REUTERS

Cidadão marroquino foi detido na Alemanha e entregue às autoridades portuguesas. Tinha estatuto de refugiado

O homem suspeito de terrorismo que foi ontem entregue às autoridades portuguesas e ficou em prisão preventiva é um antigo agente da polícia de Marrocos que chegou a Portugal em 2014, vindo de outro país africano com estatuto de refugiado. Ter-se-á envolvido com o Daesh e terá recrutado por cá alguns jovens estrangeiros que se radicalizaram e se juntaram à organização internacional terrorista, confirmou o PÚBLICO junto de fonte policial.

Abdessalam Tazi, que esteve vários anos na polícia marroquina, é também suspeito em Portugal de várias burlas e fraudes bancárias através das quais conseguia verbas usadas para financiar actividades terroristas ligadas ao Daesh. Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou que o homem é suspeito de "crimes de adesão e apoio a organização terrorista internacional e recrutamento e financiamento ao terrorismo". O suspeito, de 63 anos, chegou a viver em Aveiro com Hicham el Hanafi, o jovem de 26 anos ao qual Portugal também concedeu asilo político e que acabou detido em França, em Novembro de 2016. Hanafi foi detido com outros seis suspeitos jihadistas, de nacionalidade francesa e afegã, durante uma operação levada a cabo em Estrasburgo e Marselha.

Para a investigação portuguesa, Abdessalam Tazi e Hanafi trabalhavam em equipa, sendo membros da mesma célula terrorista. Aliás, em comunicado, a Polícia Judiciária confirmou ontem que a detenção ocorreu no âmbito de uma investigação "no decurso da qual foram colhidos indícios que ligam os dois homens, de nacionalidade estrangeira, ao terrorismo internacional". Chegaram a Portugal na mesma altura e desde 2015 que estavam a ser investigados. Foi, porém, mais demorada a recolha de provas quanto a Abdessalam Tazi e a descoberta da sua localização.

Oito inquéritos em curso

Ainda em 2014, pouco depois de chegar ao Centro de Instalação Temporária do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras reportaram à Judiciária movimentações estranhas deste antigo polícia. Terá vivido entre Portugal e outros países, sendo várias as viagens que os investigadores rastrearam. Por cá, foi ficando sempre alguns meses de cada vez que voltava. Na Alemanha, foi detido no Verão de 2016 e cumpriu pena de prisão por crimes económicos. A sua extradição, na sequência de um mandado de detenção internacional emitido pelo Ministério Público português, só aconteceu agora porque esteve a aguardar a sua saída da prisão.

A investigação deste caso está a cargo da Unidade Nacional contra o Terrorismo da Polícia Judiciária e o inquérito-crime está a ser desenvolvido no Departamento Central de Investigação e Acção Penal.

Abdessalam Tazi foi ouvido ontem no Tribunal Central de Instrução Criminal, num interrogatório conduzido pelo juiz Carlos Alexandre. Ficou em prisão preventiva.

O último Relatório Anual de Segurança Interna, relativo a 2015 mas divulgado em 2016, dava conta de que existiam então oito investigações em curso nas quais estavam em causa suspeitas de terrorismo.