Centeno vê condições para acordo de venda do Novo Banco

Ministro das Finanças critica o Governo anterior pelo que diz ter sido o “alheamento” em relação à banca.

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Centeno acompanhado pelo Secretário de Estado das Finanças, Ricardo Mourinho Félix Enric Vives-Rubio

As discussões com os norte-americanos da Lone Star para encontrar uma solução de venda do Novo Banco ainda estão a decorrer, mas o ministro das Finanças vê condições para se chegar a um acordo para alienar o banco que está na esfera do Fundo de Resolução. Sobre a solução que está a ser desenhada, Mário Centeno não a esclarece, refugiando-se no facto de o dossiê não estar fechado.

Centeno falou sobre o sistema financeiro nesta sexta-feira durante uma conferência de imprensa no ministério acerca da redução do défice de 2016 para 2,1% do PIB, onde lançou várias críticas ao PSD e CDS pelo que considerou ter sido a estratégia de “alheamento” do anterior Governo em relação ao dossiê da banca.

“A estabilização do sistema financeiro é um facto absolutamente essencial a que o Estado não se pode alhear”, alfinetou, argumentando que Portugal está agora na última fase dessa estabilização, com o desenrolar do dossiê do Novo Banco, a capitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e a ideia de criar um instrumento para reduzir o peso dos crédito malparado na economia.

Quanto à venda do Novo Banco, respondeu aos jornalistas, as negociações “estão a evoluir de facto a bom ritmo”. “Consideramos que há condições para um acordo”. E nada mais adiantou, com um argumento: "As discussões ainda estão a decorrer, não gostaríamos de fazer mais declarações sobre isso neste momento”. Fica por esclarecer, por via oficial, qual será o modelo de venda que poderá vir a ser adoptado.

Foi munido de críticas implícitas ao PSD e CDS, embora usando fórmulas discursivas para nunca referir os partidos da coligação de Governo anterior liderada por Passos Coelho, que Centeno defendeu o trabalho do actual Governo no sector bancário, fazendo um contrapondo ao que classificou como um alheamento do executivo anterior em relação à banca.

A crítica mais violenta veio quando, sem nunca referir os nomes de Passos ou de Maria Luís Albuquerque, se insurgiu contra “a apologia do alheamento do poder político da solução dos problemas do sector financeiro”. E, argumentando ser preciso fazer um “pouco de pedagogia”, lembrou que o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, fez ao Parlamento uma “listagem de sete problemas” resolvidos “sucessivamente” nos sectores público e privado pelo Governo.

Já no que diz respeito a resultados em relação ao problema do malparado, o ministro ainda não tem, mas promete, uma solução, dizendo estar a negociar com a Comissão Europeia. Certo é que ainda “não foi entregue nenhum projecto em Bruxelas” sobre esta matéria.

No caso da Caixa Geral de Depósitos, reforçou, “a experiência de subcapitalização” não permitia que o banco público tivesse uma estratégia consentânea com as necessidades da instituição.

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