Partido de Beppe Grillo responsabilizado por surto de sarampo

Responsável do Ministério da Saúde associa aumento de 230% de novos casos da doença com campanha anti-vacinação feita pelo Movimento 5 Estrelas.

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Marco Duarte

O director-geral de saúde preventiva do Ministério da Saúde italiano responsabiliza o Movimento 5 Estrelas pelo recente surto de sarampo no país. Dados dos primeiros meses deste ano mostram um crescimento de 230% no número de pessoas infectadas com a doença, sobretudo crianças. Nos últimos quatro anos, o número de bebés vacinados tem descido sucessivamente. Em 2015, o partido populista liderado por Beppe Grillo apresentou uma lei contra a vacinação, associando-a a doenças como a leucemia ou o autismo.

Em declarações ao jornal italiano L’Unitá, o responsável do Ministério da Saúde, Raniero Guerra, é claro: “Dizer que é normal este tipo de epidemia de sarampo em ciclos plurianuais é uma loucura”. O responsável defende ainda que a doença não devia manifestar-se desde que fossem cumpridos os critérios do plano nacional de vacinação, que tinham feito do sarampo uma doença virtualmente erradicada de Itália. “O que está a acontecer deve-se à redução” do número de pessoas vacinadas, afirma Guerra, associando o que está a acontecer com as posições do Movimento 5 Estrelas.

O partido de Beppe Grilo tinha proposto, em 2015, uma lei contra a vacinação, associando-a a doenças como a leucemia, imunodepressão, autismo, cancro, alergias e mutações genéticas hereditárias. No blog do líder do partido e em várias manifestações públicas, o movimento populista tinha feito uma campanha contra a vacinação e apontando o dedo ao Governo por promover a prática.

Já depois de conhecidos os números do recente surto de sarampo, um deputado do Movimento 5 Estrelas, Andrea Cecconi, instou o ministro da Saúde para a associar “antes que se crie uma situação de pânico, os casos que estão a suceder por estes dias com um ciclo de picos desta doença”.

Números do Ministério da Saúde divulgados pela imprensa italiana há uma semana mostram que, desde o início do ano, foram registados 700 casos de sarampo, quase tantos como em todo o ano passado (844). Face ao mesmo período de 2016, o total de infectados com a doença cresceu 230%. A maior parte dos casos acontecem nas regiões das principais cidades do país: Piemonte (Turim), Lazio (Roma), Toscânia (Florença) e Lombardia (Milão).

Os dados oficiais mostram também um decréscimo na percentagem de crianças até aos dois anos a quem é dada a vacina contra o sarampo – que em Itália é gratuita: em 2013, 88% eram vacinados, número que desceu para 86% em 2014 e 85,3% em 2015. A Organização Mundial de Saúde e o plano nacional de vacinas italianos estabelecem como meta ter 95% da população desta idade imunizada.