Milhares de pinheiros vão ser abatidos na Serra de Sintra

O PEV denuncia o abate iminente de milhares de pinheiros na zona da Malveira da Serra. Os Verdes querem ouvir o presidente do Instituto de Conservação da Natureza sobre esta "gestão economicista" do parque natural.

Abate de árvores na zona dos Capuchos em 2009
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Abate de árvores na zona dos Capuchos em 2009 Enric Vives-Rubio

Milhares de pinheiros na zona da Lagoa Azul, no Parque Natural de Sintra-Cascais, estão a ser marcados para abate pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) numa extensão de cerca de cinco quilómetros. A denúncia é d'Os Verdes que querem explicações do presidente daquele instituto.

"Só vemos uma razão: querem fazer dinheiro. Uma floresta de pinheiros pode ser uma floresta que se vai repondo, cortando uns e plantando outros. Nunca se fez cortes assim tão grandes, porque deixando uma área muito grande a descoberto corre-se o risco de que as infestantes, como as acácias, se propaguem e tomem espaço, sobretudo agora na primavera", diz ao PÚBLICO a dirigente do partido Manuela Cunha.

O PEV nota a coincidência de ter tido esta denúncia no Parque Natural de Sintra-Cascais no Dia da Floresta, que foi terça-feira celebrado pelo Governo numa reunião do conselho de ministros dedicado ao tema que aconteceu exactamente em Sintra. 

Para os ecologistas, o problema coloca-se porque a área de abate destas árvores é muito extensa. "Estão a ser marcados para abate milhares de pinheiros, estende-se por uma área de mais de 5 km", clarifica a dirigente do PEV, que acredita que a justificação do ICNF para este abate em larga escala será a doença das árvores. "Mas não há razão nenhuma", defende. "Não é um abate do ponto de vista ambiental, só pode ser um abate economicista", acusa.

O PEV quer travar o abate com esta dimensão e por isso vai chamar ao Parlamento o presidente do ICNF, Rogério Rodrigues, para explicar o porquê de decidir o abate de tantas árvores e se não se trata de uma "gestão florestal numa zona de parque que não tem uma visão ecologista, mas economicista", acrescenta.

O PÚBLICO questionou o ICNF sobre o assunto mas ainda não obteve resposta.