Bill Clinton sobre Martin McGuiness: "As suas palavras valiam ouro"

O ex-vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte Martin McGuinness morreu esta terça-feira e foram muitas as homenagens. Mas também houve as vozes críticas.

Foto
Reuters/CATHAL MCNAUGHTON

"Nunca teríamos conseguido sem a liderança de Martin"

"Cresci a ouvir que Martin McGuinness era um líder do IRA envolvido na luta armada. Acabei por conhecer o Martin McGuinness que pôs de lado a luta armada a favor da paz. Alguns não conseguirão esquecer o amargo legado da guerra. E para os que perderam entes queridos isso é compreensível. Mas nós, os que conseguimos alcançar um acordo de paz na Irlanda do Norte, sabemos que nunca teríamos conseguido sem a liderança de Martin, sem a sua coragem e forma tranquila de persistir".

Tony Blair, ex-primeiro-ministro britânico

"Palavras que valem ouro"

"Quando decidiu lutar pela paz, Martin foi calmo, corajoso e directo. E quando foi a sua vez de falar, as suas palavras valeram ouro".

Bill Clinton, ex-Presidente dos Estados Unidos

"Devemos agarrar bem o seu optimismo"

"Apesar de não poder aceitar o caminho que percorreu na primeira parte da sua vida, Martin McGuiness teve um papel fundamental no afastamento do movimento republicano da via da violência. Ao fazer isto, deu uma contribuição histórica na extraordinária viagem da Irlanda do Norte do conflito para a paz. No centro de tudo estava o seu profundo optimismo sobre o futuro da Irlanda do Norte - e penso que hoje devemos agarrar bem esse optimismo".

Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido

"Era um republicano apaixonado"

"Durante toda a sua vida, Martin mostrou grande determinação, dignidade e humildade e manteve-se assim durante o curto período em que esteve doente. Era um republicano apaixonado que trabalhou incansavelmente pela paz e pela reconciliação e pela reunificação do seu país. Mas, acima de tudo, amava a sua família e o povo de Derry e tinha muito orgulho em ambos".

Gerry Adams, líder do Sinn Féin

"Um gigante"

“Era um verdadeiro gigante da política irlandesa, conhecido e respeitado por todo o mundo"

Michelle O'Neill, sucessora de McGuiness na liderança do Sinn Féin

"Esta ilha vai sentir a falta da sua liderança"

“O mundo da política e o povo de toda esta ilha vão sentir falta da sua liderança, que mostrou nos períodos mais difíceis do processo de paz, e do seu compromisso com os valores genuínos da democracia, que mostrou na criação das instituições norte-irlandesas."

Michael D. Higgins, Presidente da Irlanda

"Uma extraordinária viagem política"

"A sua morte representa uma perda significativa, não apenas para a política da Irlanda do Norte mas para a paisagem política de toda a ilha e não só. Martin será lembrado pela extraordinária viagem política que fez durante a sua vida. Não só acreditou que a paz podia prevalecer, comprometeu-se com ela e trabalhou incansavelmente para esse fim. Foi um dos arquitectos do Acordo de Sexta-Feira Santa. Lutou para que a Irlanda do Norte se tornasse num lugar melhor para todos".

Enda Kennym, primeiro-ministro da Irlanda

"A força da reconciliação"

“Foi uma força de reconciliação na Irlanda do Norte. Era directo, conciliador e não prometia mais do que conseguia dar”

Richard N. Haass, diplomata norte-americano

"Um desafio para as vítimas"

"[A morte de McGuiness] significa um desafio para as vítimas dos Troubles. Penso que ninguém precisava de morrer para a Irlanda do Norte chegar onde está hoje. Claramente, Martin McGuinness discordava desta visão, mas também admito que nos últimos anos embarcou numa viagem para mudar as coisas pela via política, tornando-se numa figura fundamental em Stormont. A História reflectirá a sua complexa história de vida".

Mike Nesbitt, líder unionista da Irlanda do Norte

"Fizeram ambos coisas admiráveis"

Triste pela morte de McGuiness. Recordo com carinho o ano absolutamente extraordinário em que ele e o meu pai partilharam o poder, tendo ambos feito uma coisa admirável. Nunca esquecerei a preocupação que demonstrou pelo estado de saúde do meu pai"

Kyle Paisley, filho do histórico líder unionista Ian Paisley