Entrevista

“Será muito difícil” renegociar a dívida

Mesmo depois das eleições alemãs, depois do que aconteceu na Grécia, ninguém aceitará perdoar dívidas de um país, acredita Cavaco Silva.

As consequências de um perdão de dívida pública nos bancos e seguradoras seriam difíceis de suportar.

Depois das eleições alemãs, haverá espaço para dentro da Europa, e dentro desta discussão sobre o futuro do euro, se falar sobre as excessivas dívidas públicas e a renegociação dessas dívidas?
Acho que o apagar de dívidas públicas, isto é países e instituições dizerem de um momento para o outro que "eu dispenso o reembolso que o país A ou o país B deve fazer ao meu país ou às empresas do meu país" será muito difícil de fazer novamente, depois daquilo que aconteceu na Grécia. O que pode ser feito - e que já foi feito no Governo presidido pelo dr. Passos Coelho - é o alongamento de prazos, é a descida de taxas de juro, isso tem vindo a ser feito e está a ser feito também em relação à Grécia. Mas restruturações da dívida, eu escrevo no meu livro o que é que pode acontecer se forem feitas de forma unilateral. Imagine o que é que acontecia aos bancos portugueses, às companhias de seguros portuguesas, aos fundos de pensões, se fosse feita uma reestruturação da dívida portuguesa, quando eles são detentores de uma parcela significativa. É melhor nem pensar.

Por isso lhe perguntava se achava que depois das eleições alemãs haveria algum ambiente político na Europa para que isso fosse discutido de maneira a que não fosse unilateral?
Eu vejo que é difícil.