O "derby" autárquico no Funchal vai ser Rubina Leal vs. Paulo Cafôfo

Actual secretária regional do executivo madeirense é o trunfo do PSD, há muito falado, para recuperar a capital do arquipélago, nas mãos do independente Paulo Cafôfo desde 2013.

Rubina Leal é actual secretária regional dos Assuntos Sociais e da Inclusão do Governo madeirense
Foto
Rubina Leal é actual secretária regional dos Assuntos Sociais e da Inclusão do Governo madeirense DR

Foi o anúncio esperado. Rubina Leal, actual secretária regional dos Assuntos Sociais e da Inclusão do Governo madeirense, é o nome escolhido pelo PSD para tentar recuperar a Câmara Municipal do Funchal, nas mãos da oposição desde as autárquicas de 2013.

A confirmação de um nome que há muito era dado como certo, foi feita esta segunda-feira à tarde por Miguel Albuquerque, durante uma iniciativa dos TSD-Madeira, em que definiu a candidata como pessoa certa para recolocar a cidade na vanguarda. “A Dra. Rubina dispensa apresentações. Pela sua humanidade, capacidade de trabalho, dedicação ao serviço público, e pelo profundo conhecimento que tem da cidade. Todos os funchalenses a conhecem”, sintetizou Albuquerque, depois de criticar a gestão do actual presidente da autarquia, Paulo Cafôfo.

“Foram três anos e meio de conversa fiada”, acusou, pedindo aos funchalenses para olharem para lá da “propaganda” e verem como está a cidade. “Mais desorganizada, com espaços públicos abandonados, estacionamentos estrangulados, e sem qualquer investimento.”

Próxima de Albuquerque, com quem cumpriu dois mandatos como vereadora quando o actual chefe do executivo madeirense liderava a câmara do Funchal, Rubina Leal é um nome que reúne consensos no partido. Tem experiência autárquica e goza de grande popularidade junto da população,

O grande trunfo da candidata social-democrata é precisamente esse tempo (2005 a 2013) que cumpriu ao serviço da autarquia, onde foi responsável por pelouros das áreas sociais, como a habitação, educação e inclusão social. Mais recentemente, tem sido o rosto do governo regional no realojamento e a recuperação dos incêndios de Agosto do ano passado.

“O primeiro objectivo é ter um programa que seja mobilizador, e desmistificar algumas coisas sobre a actual gestão camarária”, definiu Rubina Leal aos jornalistas, apontando a distância entre o que tem sido anunciado pela autarquia e o que tem sido realmente concretizado.

Sem avançar com nomes da equipa, a candidata vai, “enquanto a lei permitir”, continuar a exercer funções no executivo regional, admitindo sair do governo durante o período de campanha eleitoral.

A principal autarquia madeirense está, desde 2013, nas mãos do independente Paulo Cafôfo, que reúne o apoio de uma coligação de partidos, encabeçada por PS e Bloco de Esquerda. O autarca tem sido acusado pela oposição de prometer muito e pouco fazer, mas continua a ter índices de popularidade elevados na cidade. Isto apesar de, pelo caminho, ter perdido o apoio de dois importantes partidos da coligação ‘Mudança’ que o elegeu: o PTP de José Manuel Coelho e o PND de Gil Canha.

É portanto um desafio difícil o de Rubina Leal, mas a social-democrata não se intimida. “Sempre estive disponível para os desafios que o partido me tem proposto”, sublinhou.

Licenciada em Sociologia pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa e com uma pós-graduação em Protecção de Menores pelo Centro de Direito de Família da Faculdade de Direito de Coimbra, Rubina Leal completa 51 anos em Julho.

Antes da política activa, foi o rosto da delegação madeirense da Fundação Portuguesa da Luta Contra a Sida, e chefiou o gabinete do então ministro da República para a Madeira, Monteiro Diniz. Foi aí que Albuquerque a foi buscar para a câmara funchalense.