Federer só pede que o seu corpo o deixe continuar a jogar

O suíço conquistou em Indian Wells o 90.º título da carreira.

Roger Federer
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Roger Federer LUSA/PAUL BUCK

Em menos de um ano, a tristeza de uma paragem forçada por uma lesão transformou-se numa das fases mais felizes da carreira de Roger Federer. O suíço aproveitou a segunda metade da época passada para recuperar fisicamente, mas também para dar mais tempo ao seu corpo a preparar-se para mais uma época exigente. E, aos 35 anos, Federer está a jogar um ténis só possível de ser comparado ao que exibiu 10 anos antes, quando dominou o ténis mundial. Só assim foi possível vencer o BNP Paribas Open pela quinta vez, desta vez, sem perder um set.

“Fiquei muito triste no ano passado, quando não pude vir cá. Só o estar cá já é uma bonita sensação. É um dos meus torneios favoritos; vim cá pela primeira vez há 17 anos. Por isso, estar aqui outra vez como campeão é uma sensação espantosa”, afirmou Federer, campeão em Indian Wells também em 2004, 2006 e 2012.

Na final, o suíço de 35 anos juntou ao nível de jogo alto a precisão de pressionar o compatriota e amigo Stan Wawrinka no momento certo. Um break para fechar o set inicial; contra-break para recuperar de 0-2 no segundo e uma terceira quebra de serviço para fechar o encontro, por 6-4, 7-5, em 80 minutos.

A derrota frente a um adversário fora do "top-100" no primeiro torneio que realizou após conquistar o 18.º título do Grand Slam, no Open da Austrália, deixou a dúvida no ar. Mas o percurso de Federer em Indian Wells confirmou que o suíço está em grande forma. “Foi novamente uma semana de conto de fadas. Espero que o meu corpo me permita continuar a jogar”, adiantou Federer, após a conquista do 90.º na carreira, ficando a quatro de Ivan Lendl e 19 do recordista Jimmy Connors. No entanto, na lista de títulos conquistados após completar 30 anos, Federer lidera com 22, mais oito que Connors.

No registo de torneios Masters 1000, este foi o 25.º triunfo do suíço, atrás de Novak Djokovic (30) e Rafael Nadal (28), mas é o mais velho de sempre a conquistar o torneio desta categoria.

Graças ao triunfo nos dois mais importantes torneios realizados este ano, Federer lidera a Corrida para Londres, com quase o dobro dos pontos do segundo classificado, Rafael Nadal. Neste ranking que contabiliza apenas os pontos conquistados no presente ano, Andy Murray aparece no 10.º ligar e Novak Djokovic no 18.º.

Contudo, Murray e Djokovic continuam a ocupar os lugares cimeiros do ranking ATP – onde Federer subiu ao sexto posto –, mas são os grandes ausentes do Miami Open, segundo Masters 1000 da época, cujo quadro masculino começa na quarta-feira. Segundo o sorteio, Federer (6.º) e Wawrinka (3.º) poderão reencontrar-se de novo em Miami, caso cheguem às meias-finais.

Até lá, Federer poderá ter de defrontar Juan Martin del Potro (34.º) na terceira ronda e Dominic Thiem (8.º), na quarta. Já Wawrinka, o primeiro cabeça de série, tem na sua secção do quadro Alexander Zverev (20.º), Nick Kyrgios (16.º) e David Goffin (12.º).

Na metade inferior, os favoritos a chegarem a essa fase do torneio são Kei Nishikori (4.º) e Rafael Nadal (7.º). Aí ficou igualmente colocado João Sousa (35.º), cabeça de série n.º 30, que terá como primeiro adversário o vencedor do encontro entre Fabio Fognini (40.º) e Ryan Harrison (47.º).

Gastão Elias (89.º) estreia-se diante do argentino Horacio Zeballos (75.º). O vencedor desse duelo defronta Wawrinka.