Distrital do PSD confirma Teresa Leal Coelho para Lisboa

Sociais-democratas nomearam, por maioria, a vice-presidente do partido para a corrida à capital. Houve dois votos em branco e um contra.

NFS - Nuno Ferreira Santos
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NFS - Nuno Ferreira Santos

Foi a formalização esperada: a distrital do PSD-Lisboa anunciou esta tarde que a vice-presidente do partido Teresa Leal Coelho será a candidata social-democrata à Câmara de Lisboa. Este Outono, a também deputada à Assembleia da República irá enfrentar o actual presidente do município Fernando Medina (PS), a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, o actual eurodeputado João Ferreira pela CDU, e Ricardo Robles, pelo BE.

Teresa Leal Coelho foi escolhida com 23 votos a favor, dois votos em branco e um contra, anunciou o líder da distrital Miguel Pinto Luz aos jornalistas esta tarde, num intervalo da reunião da distrital. Só falta agora a confirmação na comissão política nacional, marcada para a próxima terça-feira à noite, em Lisboa.

Apesar das controvérsias durante o processo de escolha do nome, que o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, chamou a si, a concelhia e a distrital sociais-democratas dizem-se agora unidas a 100% na candidatura de Teresa Leal Coelho. Ao anunciar o resultado deste domingo à tarde, Miguel Pinto Luz realçou ser uma "votação expressiva" e recusou que Teresa Leal Coelho tenha sido uma solução de último recurso ou que seja um anúncio tardio.

O dirigente realçou que o PS ainda não apresentou o seu candidato e que o PSD "está perfeitamente dentro dos timings estabelecidos pela comissão política nacional". Sobre a escolha, Miguel Pinto Luz criticou a "feira de nomes" que viu sucessivamente na comunicação social. "O nome de Teresa Leal Coelho é o oficial do PSD, é o único nome. Não foi o último recurso; é uma candidata ganhadora para um projecto ganhador e alternativo" à gestão dos últimos anos do PS.

Questionado sobre outras câmaras do distrito, como Oeiras, onde Paulo Vistas tenciona recandidatar-se como independente (depois de ter sido eleito em 2013 através do movimento que usa o nome de Isaltino Morais), Miguel Pinto Luz disse que o partido está ainda a fazer estudos sobre os municípios de Oeiras, Odivelas e Loures e que será tomada uma decisão no final do mês ou no início de Abril. "Não temos nenhum dogma, nenhum preconceito. A seu tempo anunciaremos."

A escolha pessoal de Pedro Passos Coelho para Lisboa, passando por cima da concelhia e da distrital gerou mal-estar nos dirigentes locais nas últimas duas semanas. Mauro Xavier, presidente da concelhia lisboeta, mostrou-se publicamente desagradado nas redes sociais há uns dias e este domingo explicou que o fez por ter sabido do nome pela comunicação social. Um sentimento que “não mudou”, vincou.

Apesar disso, agora diz que o PSD está “muito bem equipado” para o combate eleitoral que se adivinha, e defende que o partido está congregado em torno da candidata – porque o PSD “nunca se apresentou em nenhuma eleição sem ser para ganhar”.

Não foram faltas, mas sim "substituições"

Teresa Leal Coelho foi eleita vereadora sem pelouro em Lisboa em 2013, onde o cabeça de lista do PSD foi Fernando Seara. Segundo contas do Observador, que consultou as actas de pelo menos 142 das 153 reuniões da câmara, a vereadora só esteve presente num terço das reuniões, e contabilizou pelo menos 91 faltas. Nos encontros em que marcou presença, Teresa Leal Coelho também foi muito pouco interventiva, contam-se apenas uma dúzia de intervenções.

Questionado pelos jornalistas sobre este aparente "desinteresse" da agora candidata em relação à autarquia, Miguel Pinto Luz usou os mesmos termos de Teresa Leal Coelho: não houve faltas (do partido), apenas "substituições", da vereadora por outra pessoa da lista do PSD, como a lei prevê. Porque Teresa Leal Coelho, além de vice-presidente do partido, é presidente da Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, uma das mais trabalhosas da "casa da democracia", fez questão de realçar o dirigente distrital. "Não faltou; fez-se substituir. Não foi de férias ou passear para as Caraíbas."

Miguel Albuquerque queria PSD a apoiar Rui Moreira

Já este domingo, mais uma voz dissonante de peso entre os sociais-democratas fez-se ouvir: em entrevista à Antena 1, o presidente do Governo madeirense e líder do PSD/Madeira, Miguel Albuquerque, criticou a demora na escolha do nome para a corrida à Câmara de Lisboa e defendeu que o partido “devia-se ter antecipado ao PS” e apoiado Rui Moreira para a recandidatura ao Porto.

Para além de ser uma pessoa de “centro direita”, tem feito “um bom trabalho”: “Seria um bom candidato para o PSD apoiar.” Passos Coelho preferiu Álvaro Almeida.

Para o Funchal ainda não há candidato, mas Albuquerque promete ter tudo fechado terça-feira. Entretanto, a concelhia do PSD de Vila Franca de Xira anunciou que o partido vai concorrer coligado com o CDS-PP e a candidata é a actual vereadora sem pelouros e advogada Helena de Jesus.