EUA acusam espiões russos de ataque contra a Yahoo

É a primeira acusação formal dos EUA contra dois funcionários do Governo da Rússia num caso de cibercriminalidade. Departamento de Justiça diz que ataque teve a colaboração de dois hackers criminosos.

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Três dos acusados estão em liberdade e um foi detido no Canadá na terça-feira Yuri Gripas/Reuters
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Dmitri Dokuchaev FBI
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Igor Sushchin FBI
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Alexsei Belan FBI

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou dois agentes dos serviços secretos russos de terem planeado o ataque informático de 2014 contra a empresa norte-americana Yahoo, com a colaboração de dois hackers criminosos contratados.

Esta é a primeira acusação judicial nos Estados Unidos contra funcionários do Governo da Rússia em casos de cibercriminalidade, num momento em que as autoridades norte-americanas estão também a investigar uma possível interferência no processo eleitoral do ano passado. Apesar das acusações anunciadas esta quarta-feira, os responsáveis do Departamento de Justiça e do FBI lembram que a investigação sobre as eleições presidenciais norte-americanas é independente da investigação ao ataque contra a Yahoo, e dizem que não há indícios de que estejam ligadas.

O ataque de 2014 só foi revelado pela empresa norte-americana em Setembro de 2016, e na altura foi considerado o maior roubo de informação electrónica de sempre – a Yahoo avançou que esse ataque tinha violado os dados pessoais de 500 milhões de utilizadores. Mas há quatro meses a empresa revelou que um outro ataque, em 2013, afectou mil milhões de utilizadores.

As acusações anunciadas esta quarta-feira pelo Departamento de Justiça e pelo FBI dizem respeito apenas ao ataque de 2014 e não há indícios de que os suspeitos tenham participado também no ataque de 2013. Esta vulnerabilidade na Yahoo fez com que o valor da sua compra pela Verizon tenha descido 350 milhões de dólares, de 4,8 mil milhões para 4,48 mil milhões – o negócio ainda não foi fechado, mas as duas empresas confirmaram que está bem encaminhado.

De acordo com a acusação do Departamento de Justiça norte-americano, dois agentes dos serviços de espionagem da Rússia (FSB) planearam e pagaram a dois hackers criminosos para entrarem nos servidores da Yahoo. Na conferência de imprensa, a responsável do Departamento de Justiça disse que os dois suspeitos planearam o ataque na qualidade de funcionários do FSB, mas não afirmou que a ordem veio do Governo de Moscovo.

Um detido e três estão na Rússia

A Yahoo revelou que os atacantes roubaram nomes, passwords, números de telefone, datas de nascimento e perguntas e respostas para recuperação de contas, mas o Departamento de Justiça edo FBI dizem ter provas na sua investigação de que o ataque teve dois momentos: primeiro, os dois agentes do FSB, Dmitri Dokuchaev e Igor Sushchin, pagaram aos dois hackers criminosos, Alexsei Belan e Karim Baratov, para roubarem informação sensível a jornalistas e dissidentes russos, a funcionários dos governos de Moscovo de Washington e a diplomatas e militares dos Estados Unidos; depois, os dois hackers usaram as informações que retiraram dos servidores da Yahoo para enriquecimento pessoal.

Na altura do ataque, os dois agentes do FSB trabalhavam na divisão que serve de ponto de contacto para o FBI em Moscovo. Um deles, Dmitri Dokuchaev, foi detido no final do ano passado, na Rússia, acusado por Moscovo de integrar um grupo que roubou informações sobre responsáveis do Governo russo para extorquir dinheiro através de chantagem.

As autoridades norte-americanas dizem que essa detenção teve como objectivo travar as investigações sobre os ataques nas eleições nos Estados Unidos – de acordo com esta tese, Moscovo pôs os responsáveis por esses ataques num lugar seguro para que não pudessem divulgar pormenores aos norte-americanos.

De volta aos factos, os dois agentes russos acusados esta quarta-feira pelos Estados Unidos estão na Rússia e dificilmente serão detidos, já que entre os dois países não há acordo de extradição. Karim Baratov, um dos dois hackers criminosos que terão executado o ataque contra a Yahoo, nasceu no Cazaquistão mas tem nacionalidade canadiana e foi detido terça-feira no Canadá, pelo que poderá ser extraditado para os Estados Unidos; o outro, Alexsei Belan, nasceu na Letónia, tem passaporte russo e está na lista dos cibercriminosos mais procurados pelo FBI – antes da acusação desta quarta-feira, já tinha sido acusado por ataques em 2012 e 2013 contra empresas norte-americanas.